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Biogás

O biogás pode ser usado como combustível em substituição do gás natural ou do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), ambos extraídos de reservas

Postado em 10/08/2010 | 0 Comentário(s) | 7100 Acessos

Biogás é um tipo de mistura gasosa de dióxido de carbono e metano produzida naturalmente em meio anaeróbico pela ação de bactérias em matérias orgânicas, que são fermentadas dentro de determinados limites de temperatura, teor de umidade e acidez.

Pode ser produzido artificialmente com o uso de um equipamento chamado biodigestor anaeróbico. O metano, principal componente do biogás, não tem cheiro, cor ou sabor, mas os outros gases presentes conferem-lhe um ligeiro odor desagradável.É classificado como biocombustível por ser uma fonte de energia renovável.

A matéria orgânica utilizada na alimentação dos biodigestores pode ser derivada de resíduos de produção vegetal (como restos de cultura), de produção animal (como esterco e urina) ou da atividade humana (como fezes, urina e resíduos doméstico).

O biogás pode ser usado como combustível em substituição do gás natural ou do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), ambos extraídos de reservas minerais. O biogás pode ser utilizado para cozinhar em residências rurais próximas ao local de produção (economizando outras fontes de energia, como principalmente lenha ou GLP). Pode também ser utilizado na produção rural como, por exemplo, no aquecimento de instalações para animais muito sensíveis ao frio ou no aquecimento de estufas de produção vegetal.

Pode ser usado também na geração de energia elétrica, através de geradores elétricos acoplados a motores de explosão adaptados ao consumo de gás.

Gás metano sendo queimado em lixão

No Brasil, os biodigestores rurais vêm sendo utilizados, principalmente, para saneamento rural, tendo como subprodutos o biogás e o biofertilizante.

O desenvolvimento de tecnologias para o tratamento e utilização dos resíduos é o grande desafio para as regiões com alta concentração de produção pecuária, em especial suínos e aves. De um lado a pressão pelo aumento do numero de animais em pequenas áreas de produção, e pelo aumento da produtividade e, do outro, que esse aumento não provoque a destruição do meio ambiente. A restrição de espaço e a necessidade de atender cada vez mais as demandas de energia, água de boa qualidade e alimentos, têm colocado alguns paradigmas a serem vencidos, os quais se relacionam principalmente à questão ambiental e a disponibilidade de energia.

A presença de vapor d’água, CO2 e gases corrosivos no biogás in natura, constitui-se o principal problema na viabilização de seu armazenamento e na produção de energia. Equipamentos mais sofisticados, a exemplo de motores a combustão, geradores, bombas e compressores têm vida útil extremamente reduzida. Também controladores como termostatos, pressostatos e medidores de vazão são atacados reduzindo sua vida útil e não oferecendo segurança e confiabilidade. A remoção de água, CO2, gás sulfidrico, enxofre e outros elementos através de filtros e dispositivos de resfriamento, condensação e lavagem é imprescindível para a confiabilidade e emprego do biogás.

País desperdiça 1 milhão de m³ de biogás por dia

Por entraves na regulamentação e nas regras do Protocolo de Kyoto, o Brasil queima hoje cerca de 1 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia em aterros sanitários, estações de tratamento de água e na agroindústria. O combustível, que representa 3% da capacidade do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), é suficiente para abastecer 200 postos com gás natural veicular (GNV) ou acionar uma usina termoelétrica de 100 megawatts (MW).

Chamado de biogás, o combustível é proveniente de resíduos sólidos, como dejetos de animais, e pode ser tratado e transformado em gás natural para ser inserido na rede de distribuição, gerar energia ou abastecer veículos. Algumas iniciativas já aproveitam o combustível, como os aterros sanitários São João e Bandeirantes, em São Paulo, que destinam o gás para geração térmica. O aproveitamento, porém, ainda é pequeno.

	Esquema de produção do biogás

"Nos Estados Unidos há mais de 500 projetos de aterros que geram energia, além de grande aproveitamento de gás natural renovável para movimentar frotas de caminhões da indústria pecuária", diz Marcio Schittini, sócio da Acesa, empresa com dois projetos de aproveitamento de biogás em implantação no País. No Brasil, diz, há mais de 40 aterros que não aproveitam o combustível.

Para Schittini, a falta de projetos é fruto da falta de autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o uso como combustível veicular e do modelo adotado pelo Protocolo de Kyoto, que não permite ganhos econômicos com projetos que gerem créditos de carbono. "Muitos produtores rurais têm biodigestores para separar o biogás, mas preferem queimá-lo para atuar no mercado de crédito de carbono", explica.

Uma mudança nessa regra permitiria que, com pouco investimento, os produtores separassem o gás natural do biogás para abastecer frotas ou gerar energia. Schittini usa o termo "gás natural renovável" para defender alterações necessárias para a difusão do combustível no Brasil. E compara com o biodiesel, misturado no diesel na proporção obrigatória de 2%.

Um dos projetos da Acesa prevê o aproveitamento de gás a partir de dejetos de criações no Rio Grande do Sul, com capacidade de produção de 10 mil metros cúbicos por dia. O investimento, de valor não revelado, prevê a venda do gás como combustível automotivo. O produto será comprimido e transportado em caminhões.

	Usina de biogás

Antes, porém, é necessária a regulamentação na ANP, que até hoje reconheceu só um pedido de uso de biogás, no complexo petroquímico de Camaçari (BA). Um projeto-piloto está sendo desenvolvido em parceria da Acesa com a Petrobrás e a Cedae na Estação de Tratamento de Esgoto Alegria, no Rio. Com investimento de R$ 1,1 milhão por meio de um fundo de pesquisa e desenvolvimento, terá capacidade para 25 mil metros cúbicos de gás por dia.


Fonte:


O Estadão

www.estadao.com.br


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