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Programa nuclear brasileiro

Apesar de possuir a sexta maior reserva mundial de urânio, o Brasil não domina o processo de enriquecimento.

Postado em 22/03/2011 | 0 Comentário(s) | 6466 Acessos

O Brasil começou a desenvolver seu programa nuclear em 1967, com a criação de um grupo de trabalho integrado por representantes do Ministério das Minas e Energia, da Eletrobras e da Comissão Nacional de Energia Nuclear(Cnen). Em 1969, comprou da Westinghouse Eletric Company (EUA) seu primeiro reator nuclear. Em 1972, iniciaram-se as obras da Usina Nuclear Angra I, no município de Angra dos Reis(RJ), próximoaos pólos industriais de São Paulo e Rio de Janeiro.

Em 1974, um ano após a crise do petróleo, o governo decidiu implantar um ambicioso programa nuclear com o objetivo de desenvolver tecnologia própria e ampliar a produção para atender às necessidades das décadas seguintes. Em junho de 1975, um acordo com a então Alemanha Ocidental, definiu a aquisição de oito usinas nucleares junto com a transferência de tecnologia para o Brasil.

Atualmente há duas usinas nucleares em funcionamento: Angra I e Angra II. A primeira, inaugurada em 1981, tem apresentado problemas constantes e funcionamento intermitente, sendo por isso conhecida como usina vaga-lume;em 1998, interrompeu 11 vezes o funcionamento de seus reatores por problemas de segurança.

O projeto prevê também o funcionamento de uma terceira usina, a Angra III. Elas utilizam tecnologia ultrapassada e não têm apresentado soluções para o problema da destinação dos resíduos radioativos (problema comum às usinas nucleares de todo o mundo).

Apesar de possuir a sexta maior reserva mundial de urânio, o Brasil não domina o processo de enriquecimento (feito na Alemanha e nos Países Baixos). Outro problema é que o solo onde se localiza a usina apresenta instabilidade geológica, exigindo obras de estaqueamento (ação de colocar estacas de madeira, metal ou concreto armado para escorar ou sustentar uma obra), para sua sustentação. É interessante observar que a usina situa-se na praia de Itaorna, nome que em tupi-guarani quer dizer “pedra podre”.

Vista aérea da usina de Angra

A Eletrobras Termonuclear (Eletronuclear), controlada pelas Centrais Elétricas Brasileiras S.A., é responsável pela construção e operação de usinas nucleares, além da geração, transmissão e comercialização de energia elétrica delas decorrente. No entanto, a eletricidade que gera é irrisória e inconstante.

O programa nuclear brasileiro foi um enorme fracasso. Decorridos mais de 30 anos desde a sua criação (1967), e apesar de ter consumido bilhões de dólares, as outras usinas previstas não foram construídas. Além dos riscos de acidentes e do elevado custo (o acordo Brasil-Alemanha foi orçado em 30 bilhões de dólares), sua implantação foi precipitada, uma vez que o país dispõe de grande potencial hidráulico. O preço do quilowatt de energia nuclear é cerca de três vezes maior que o da hidroelétrica.

Apesar de não expelirem fumaça e não necessitarem de barragens, a s usinas nucleares são as mais perigosas para o meio ambiente. No Brasil, na hipótese de contaminação, parte do litoral brasileiro, onde se situam, estariam comprometidas.

Protestos do Greenpeace

A construção de Angra III

A licença ambiental prévia para a construção da usina nuclear Angra III, no Rio de Janeiro, tem 60 exigências que a estatal Eletronuclear terá que cumprir antes de receber autorização para as obras. O documento foi assinado em julho de 2008 pelo presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou que as exigências são “brutais”. Entre as exigências condicionantes, está a solução definitiva do tratamento do lixo nuclear, a criação de um sistema independente de monitoramento dos níveis de radiação, a realização de obras de saneamento básico dos municípios de Angra dos Reis e Paraty e a gestão do Parque Ecológico da Serra da Bocaina.

A Eletronuclear e a prefeitura de Angra dos Reis chegaram a um acordo sobre as compensações socioambientais para a concessão da licença de uso do solo para a retomada das obras na Usina Nuclear Angra 3. Ficou acertado que, para atender às condicionantes estabelecidas pela licença ambiental, serão destinados R$ 317 milhões em projetos e atividades que serão executados entre 2009 e 2014.

Desse total, R$ 150 milhões serão aplicados em Angra dos Reis em convênios diretos da Eletronuclear com a prefeitura. Mais R$ 167 milhões serão destinados ao município, mas por meio de convênios com os governos estadual e federal e entidades não governamentais. A prefeitura de Angra dos Reis informou que os recursos serão utilizados principalmente na execução de projetos nas áreas de saúde, saneamento básico, educação e meio ambiente.

Para que as obras sejam retomadas, ainda falta a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o aditivo do contrato de construção civil, previsto para ser concedido este mês. As construção de Angra 3 foram paralisadas em 1986. O cronograma da obra prevê que a usina entre em operação em 2014.Angra 3 terá potencial energético de 1.350 megawatts. O custo estimado para as obras é de R$ 7,3 bilhões.

Os rejeitos radioativos

O Ibama exige que o empreendedor deverá iniciar a execução do projeto para disposição final dos rejeitos radioativos de alta atividade antes do início da operação da Unidade 3. O monitoramento da radiação deverá ser feito por uma fundação universitária ou empresa independente daEletronuclear. Num prazo de 90 dias, a contar da data de assinatura do documento, deve ser apresentado ao Ibama o relatório do monitoramento sísmico efetuado na região.

	Complexo Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto

A empresa responsável pela obra também deverá investir até o limite de R$ 50 milhões em saneamento das cidades de Angra dos Reis e Paraty, ambas no Rio de Janeiro, e adotar o Parque Nacional da Serra da Bocaina, localizado na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, e construir a Estrada Parque da Bocaina, no trecho Paraty-Cunha.

A licença ambiental prévia exige ainda realização de projeto de educação ambiental, prevendo atividades de conscientização, para acabar com a pesca de arrasto e propor novas atividades pesqueiras. Também deverá conscientizar a população sobre a importância dos ecossistemas de mangues, restingas e Mata Atlântica. Os conteúdos e as estratégias didático-pedagógicas do Programa de Educação Ambiental deverão ser detalhados pelo empreendedor.

A empresa ou consórcio responsável pela obra também deverá apresentar os resultados dos estudos técnicos desenvolvidos pela Fiocruz sobre possíveis efeitos de radiação, a longo prazo, na população do entorno do empreendimento. Os postos de saúde de Mambucaba e Cunhambebe deverão ser beneficiados por meio de convênios.

A população das áreas de influência do empreendimento deverá ser assistida por programas de inserção social. E devem ser elaborados programas de ações direcionados às populações indígenas e quilombolas, com a participação de seus integrantes. A usina nuclear de Angra III exigirá investimentos de R$ 7,3 bilhões e terá capacidade para gerar 1.350 megawatts.

Os perigos da radioatividade: o caso de Goiânia

Se levarmos em conta apenas a utilização pacífica da energia nuclear, ainda teremos muitos problemas advin¬dos da manipulação incorreta e de acidentes em instala¬ções ou em equipamentos atômicos. Os resíduos tóxicos radioativos apresentam um grau de intromissão muito alto no meio ambiente e na vida das pessoas, pois, mesmo decorridos milênios, ainda estarão ocasionando danos.

Muitos materiais nucleares são empregados em tratamentos médicos e em pesquisas científicas. No dia 13 de setembro de 1987, um equipamento com uma cápsula de césio (com 3 centímetros e pesando 90 gramas) foi encontrado por dois sucateiros nas antigas dependências do Instituto de Radioterapia de Goiânia. O material, abandonado de maneira irresponsável pelos proprietários do instituto, desencadeou o mais grave acidente radioativo no Brasil. Pensando tratar-se de uma peça de chumbo valiosa, eles a levaram a um ferro-velho, onde o comprador abriu-a a marteladas. Nos dias subsequentes, vizinhos e familiares manusearam aquele pó radioativo e encantaram-se com o seu intenso brilho azul. Brincaram como se estivessem em uma festa. Todas as pessoas que entraram em contato com o césio 137 contaminaram-se e passaram mal.

Uma área com um raio de 2.000 m2 teve de ser isolada por causa da radiação. Oficialmente, quatro pessoas morreram e 706 foram expostas à radiação (55 atingidas por dosagens altas). A limpeza do ferro-velho e da região contaminada resultou em outro problema: 6 mil toneladas de lixo radioativo, hoje depositados em Abadia de Goiás, sob controle da Cnen.

Muitos materiais radioativos, com poder terapêutico, são largamente empregados no tratamento do câncer (radioterapia). Podem apresentar alguns dos efeitos de verdadeiras bombas de césio e de cobalto e encontram-se espalhados por todo o território do país, em grande quantidade e sem controle ou fiscalização adequados.

	Acidente com a cápsula de césio 137 em Goiânia

Fonte:


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