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Ameaça Coreana

O governo da Coreia do Norte colocou suas forças em estado de alerta total no início de um grande exercício militar.

Postado em 16/06/2010 | 0 Comentário(s) | 3298 Acessos

A Coreia do Norte anunciou ter realizado o segundo teste nuclear de sua história, desrespeitando uma proibição internacional.

As autoridades dizem que o artefato, detonado em uma área subterrânea no nordeste do país, é mais poderoso do que o usado no teste nuclear anterior, em 2006.

Notícias não confirmadas da Coreia do Sul dizem que Pyongyang também realizou vários testes com mísseis balísticos de curto alcance.

Os testes foram condenados internacionalmente e, provavelmente, levarão a um isolamento ainda maior da Coreia do Norte.

O que levou ao impasse?

Há algumas semanas a Coreia do Norte vem ameaçando reiniciar seu programa nuclear e construir um arsenal de armas nucleares.

As autoridades em Pyongyang ficaram irritadas quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou o lançamento de seu foguete de longo alcance em abril passado e endureceu sanções existentes.

O governo da Coreia do Norte insistiu que havia apenas colocado um satélite de comunicações em órbita, mas vários países acreditam que aquele foi um lançamento mal disfarçado para testar a tecnologia do míssil de longo alcance Taepodong-2, projetado para alcançar regiões dos Estados Unidos.

Exército coreano

Uma resolução aprovada em 2006 pelas Nações Unidas (ONU) proibiu a Coreia do Norte de buscar este tipo de tecnologia.

Em resposta às críticas da ONU, Pyongyang expulsou todos os monitores internacionais do país e retirou-se das longas conversações multilaterais (envolvendo Estados Unidos, Rússia, Japão, China e as duas Coreias) que tinham o objetivo de convencer os norte-coreanos a abrir mão de seu programa nuclear em troca de ajuda econômica.

O que está por trás das ações da Coreia do Norte?

A Coreia do Norte parece ter passado de uma posição de negociação para confrontação, desafiando diretamente as políticas adotadas pelos Estados Unidos e Coreia do Sul.

Apesar de ter prometido um novo início para as relações bilaterais, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que qualificou o lançamento do foguete em abril passado como "provocação", não conseguiu até agora convencer os norte-coreanos a voltarem à mesa de negociações.

Em uma declaração lida na mídia estatal, o Ministério do Exterior da Coreia do Norte disse: "Não se ganha nada em conversar com alguém que continua a nos ver com hostilidade."

As relações entre as duas Coreias se tornaram muito frágeis desde que o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak assumiu o cargo em fevereiro.

O líder conservador insiste que não haverá mais ajuda econômica incondicional à Coreia do Norte e que qualquer concessão vai depender da cooperação para pôr fim ao arsenal nuclear.

Analistas sugerem que a Coreia do Norte está adotando uma atitude beligerante para forçar tanto os Estados Unidos quanto a Coreia do Sul a oferecerem mais concessões econômicas e diplomáticas em troca de seu desarmamento nuclear.

Líder coreano Kim Jong-il

Que punição a Coreia do Norte pode esperar?

O governo americano já tinha advertido que haveria consequências se a Coreia do Norte realizasse outro teste nuclear. É provável que sejam adotadas mais sanções contra o país.

Mas, dado o isolamento de Pyongyang, os mecanismos diplomáticos disponíveis para tentar limitar seu comportamento são limitados.

Alguns analistas dizem que o regime comunista isolado e empobrecido nunca vai abrir mão de seu arsenal atômico já que tem outras cartas na mão.

Acredita-se que muito vai depender da resposta da China, que continua a ter mais influência sobre a Coreia do Norte do que qualquer outro país.

Como membro-permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China tem poder de vetar qualquer resolução contra a Coreia do Norte. Os chineses também são a principal fonte de apoio econômico do país.

A China condenou o teste nuclear que a Coreia do Norte realizou em 2006, dizendo que foi um insulto à sua liderança, mas desta vez analistas dizem que o país pode conter a sua irritação em meio a preocupações de que Pyongyang possa descartar totalmente uma retomada das conversações multilaterais sobre seu programa nuclear. Elas têm sido realizadas em Pequim.

A China também tem muito em jogo para retirar totalmente o seu apoio à Coreia do Norte e vê o país como um elemento estratégico diante das forças americanas e aliadas presentes na região. Os chineses também temem que o colapso do regime norte-coreano leve à entrada de um fluxo descontrolado de refugiados em seu território.

Por que a capacidade nuclear da Coreia do Norte é um assunto tão importante?

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra porque não foi assinado nenhum acordo de paz depois do conflito ocorrido entre 1950 e 1953. Não há uma regra fixa para a comunidade internacional lidar com países de comportamento imprevisível. Tudo vai depender do poder que eles têm.

Em 2002, a Líbia foi pressionada a admitir seu programa nuclear e a abrir mão dele porque estava enfraquecida e exposta.

A Coreia do Norte tem um Exército de um milhão de soldados, mais de 4 mil tanques e cerca de 18 mil peças de artilharia, de acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

A fronteira entre as duas Coreias é uma das mais militarizadas do mundo e milhares de peças de artilharia estão voltadas para a capital sul-coreana, Seul, que não fica longe dali.

O mais recente teste norte-coreano provavelmente vai reavivar o debate no Japão sobre a opção de lançar um ataque preventivo por medo de um ataque com mísseis.

O teste pode ainda trazer o risco de uma corrida armamentista no Leste da Ásia, pois países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan podem se ver forçados a considerar se também devem buscar armas nucleares.

	Raio de alcance do míssil coreano

A Coreia do Norte estaria em condições de detonar uma bomba nuclear agora?

Acredita-se que a Coreia do Norte ainda não desenvolveu um míssil balístico capaz de transportar uma ogiva nuclear.

Mas este segundo teste nuclear vai alimentar temores de que o país esteja mais perto de se tornar uma potência nuclear plena.

Analistas acreditam que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, espera usar os testes para angariar apoio militar em meio a crescentes especulações de que ele está em vias de anunciar um sucessor.

Aparentemente Kim está reafirmando sua posição no poder desde um suposto derrame sofrido no ano passado.

Lançamento de satélite coreano

O governo da Coreia do Norte colocou suas forças em estado de alerta total no início de um grande exercício militar conjunto dos Estados Unidos com a Coreia do Sul.

A agência estatal do governo chamou o exercício de "provocação perigosa".

Pyongyang também alertou que qualquer tentativa de derrubar um satélite que o país pretende lançar resultará em guerra. Tanto os Estados Unidos quanto a Coreia do Sul acreditam que o governo norte-coreano possa estar se preparando para testar um míssil de longo alcance, disfarçado o lançamento como se fosse de um satélite.

O alerta norte-coreano foi feito quando os dois países deram início a um exercício militar anual conjunto que deve durar 12 dias.

A Coreia do Norte já vinha chamado exercícios em anos anteriores de "provocação", mas dessa vez as críticas vem em um momento especialmente tenso nas relações entre as duas Coreias.

O governo norte-coreano disse que o risco de um conflito significava que o país não podia mais garantir a segurança de voos comerciais que passam pelo seu espaço aéreo.

Vários voos sul-coreanos tiveram seus trajetos alterados por precaução.

	Lançamento de míssil no litoral coreano

Exercício

Em um comunicado publicado pela agência de notícias estatal norte-coreana, o Exército disse que está pronto para usar força contra a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão.

"Nós retaliaremos qualquer ação para interceptar nosso satélite que tem objetivos pacíficos com ataques imediatos usando os meios militares mais poderosos", disse o comunicado.

"Ataques contra nosso satélite que tem objetivos pacíficos significará, precisamente, guerra." O Exército havia divulgado um comunicado mais cedo dizendo que todos os militares foram orientados a estarem prontos para o combate para defender o país.

O comunicado descreveu o exercício sul-coreano e americano como "sem precedentes no número de forças agressoras envolvidas e em sua duração".

O exercício para a defesa da península coreana envolve cerca de 50 mil soldados dos dois países. Segundo analistas na Coreia do Sul, os norte-coreanos podem estar usando o exercício como um pretexto, e que o objetivo de suas ameaças seria o de limpar o espaço aéreo do país para o teste de um míssil.

As tensões na região aumentaram desde que o presidente sul-coreano Lee Myung-bak tomou o poder, há um ano, e endureceu a relação com o vizinho do norte.

No dia 30 de janeiro, Pyongyang cancelou uma série de acordos por causa da decisão de Seul de ligar a ajuda bilateral ao cancelamento do programa nuclear norte-coreano.

Coreia do Norte informa à Icao sobre de satélite

Organização de Aviação Civil Internacional confirma recebimento de carta e alerta para duas áreas “potencialmente perigosas” na futura operação; Ban disse que ensaio coloca em risco equilíbrio regional.

A Organização de Aviação Civil Internacional, Icao, confirmou ter recebido uma carta da Coréia do Norte com dados sobre o lançamento de um satélite, de longo alcance, no início de abril.

Segundo a carta, há duas áreas consideradas provavelmente "perigosas" durante a operação, que deve ocorrer entre 4 e 8 do mês de abril.

Estabilidade

De acordo com o governo norte-coreano, o satélite de comunicação é parte do programa de desenvolvimento do país. Mas para o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, o lançamento pode afetar a estabilidade da região. Numa entrevista a jornalistas, na sede da ONU em Nova York, Ban Ki-moon disse que encorajou o governo norte-coreano a respeitar a Resolução 1718 do Conselho de Segurança sobre o assunto.

Seis Partes

O documento exige a suspensão de testes nucleares e, lançamento de mísseis balísticos, após afirmações de que o país teria conduzido um ensaio em outubro de 2006.

Ban Ki-moon, que foi ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, disse que espera que a Coreia do Norte respeite a resolução do Conselho de Segurança e que retorne às chamadas Conversações das Seis Partes que incluem Estados Unidos, China, Rússia, Japão e as duas Coreias.

	Governo coreano afirma ter enviado seu satélite

Fonte:


BBCBrasil

www.bbc.co.uk/portuguese/


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