Vestibular UVA2016




A Circuncisão: Uma tradição cruel e dolorosa

Em algumas regiões da África, além do clitóris, são removidos os pequenos lábios e parte dos grandes lábios.

Postado em 30/09/2010 | 0 Comentário(s) | 8591 Acessos

Circuncisão feminina e mutilação genital é um fator cultural, seu valor varia de sociedade a sociedade e então não pode ser generalizado. É frequentemente praticado como uma garantia de virgindade ou como um precursor para o matrimônio, é pensado que provê pureza sexual e uma higiene para meninas. Também há a convicção que a existência do clitóris pode ser um perigo ao órgão masculino e também para o nascimento de uma criança. Isto também faz parte importante no rito de iniciação de uma menina a fase adulta. No entanto esta pratica cultural e religiosa é cercada de um grande risco para estas mulheres e meninas posteriormente.

A circuncisão genital feminina ainda é realizada em mais de 20 países, a maioria na África. Em quinze deles a prática é oficialmente proibida, mas isso não impede que milhares de mulheres sejam mutiladas com giletes, facas e pedaços de vidro num ritual que Ihes dá a condição de adultas e dignas na comunidade. Apesar do sofrimento brutal, não podem revelar sua dor deitada no chão, a garota suspende o vestido, abre as pernas e fecha os olhos. Uma mulher se aproxima com uma gilete e na frente dos parentes e amigos corta o clitóris e os pequenos lábios da jovem sem anestesia. Apesar da dor, ela não pode chorar para não envergonhar sua família. A cena faz parte do cruel rito de iniciação das mulheres do leste de Uganda, na África oriental.

Preparação para a circuncisão

A cada dois anos, na época da colheita, o povo desce o Monte Elgon para celebrar suas tradições. Durante a festa, enquanto centenas de pessoas cantam e dançam, jovens entre 15 e 25 anos são submetidas à dolorosa prática da mutilação.

Para elas, a circuncisão representa sua aceitação como mulher adulta na comunidade. As que não se submetem ao bárbaro ritual são consideradas indignas, não podem paIticipar de tarefas rotineiras da tribo, como ordenhar vacas, nem mesmo entrar nos armazéns. Apesar de existirem algumas teorias sobre a origem da mutilação sexual feminina, ninguém sabe de fato como e quando ela começou. Acredita-se que sua prática esteja mais ligada a costumes regionais do que religiosos e as primeiras referências históricas são do século V a.C., no Antigo Egito.

Mesmo com os esforços de entidades de direitos humanos e de ativistas como a modelo somaliana Waris Dirie, que foi submetida a circuncisão genital quando era criança, sua incidência tem, infelizmente, crescido em países como Uganda. Depois do fracasso de um programa promovido pela Reach (Reproductive, Educative and Community Health), o número de vítimas só tem aumentado.

Em algumas regiões da África, além do clitóris, são removidos os pequenos lábios e parte dos grandes lábios. Em vez de prazer, a maioria das mulheres submetidas ao ritual sente dor durante o sexo. Os instrumentos utilizados não são limpos e muito menos esterilizados. Geralmente, passam de uma jovem para outra sem qualquer assepsia, causando a transmissão de uma série ele vírus, inclusive o da Aids. As sequelas, além dos problemas emocionais, vão de infecções, paralisia, hemorragia e tétano até a morte. Apesar de proibida na maioria dos países onde é realizada, a dolorosa e cruel tradição resiste à lei.

	Ritual da circuncisão em uma tribo africana


Fonte:


Revista Claudia, Outubro - 1999


Deixe um comentário