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Ocupação do Iraque

Depois de ocupar Bagdá, três semanas após o início da invasão, os Estados Unidos constituíram um governo de ocupação.

Postado em 15/06/2010 | 0 Comentário(s) | 4166 Acessos

O Iraque, declarado pelos Estados Unidos um dos integrantes do "eixo do mal", tornou-se a partir de então alvo desse país. Em 2003, valendo-se do pretexto de que o governo de Saddam Hussein, ditador que comandava o Iraque desde 1979, desenvolvia em território iraquiano armas químicas de destruição em massa, George W. Bush solicitou a aprovação da ONU para uma intervenção no país, a fim de desarmá-lo. As armas de destruição em massa, pretexto para invasão do Iraque, jamais foram encontradas pelos norte-americanos.

A solicitação, no entanto, não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU. Apesar disso, os Estados Unidos, com o apoio do Reino Unido e da Espanha, em 16 de março daquele ano deu um prazo de 48 horas para que Saddam e seus filhos abandonassem o Iraque, caso contrário o país seria ocupado pelas forças militares norte-americanas. Ante a recusa de Saddam Hussein, no dia 19 de março de 2003, foi iniciada a campanha militar liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque, cuja resistência foi derrotada em menos de um mês.

Depois de ocupar Bagdá, três semanas após o início da invasão, os Estados Unidos constituíram um governo de ocupação - Autoridade Provisória de Coalizão -, que tentou conter a situação de caos social generalizado que se instalou no país, e deram início à captura das autoridades do governo deposto. Em 13 de dezembro de 2003, Saddam Hussein foi preso. Atualmente, há no país muitos focos de resistência à ocupação, atuando contra as forças invasoras por meio de atentados terroristas.

Ocupação militar americana

Em represália à presença norte-americana no Iraque, a ação terrorista extrapolou os limites territoriais desse país. No dia 11 de março de 2004,três dias antes das eleições gerais da Espanha, como retaliação ao seu apoio à ocupação iraquiana (a Espanha enviou cerca de 1 300 soldados), esse país foi vítima de atentados terroristas ligados a AI Qaeda colocaram explosivos nas estações ferroviárias de Atocha, Santa Eugenia e Pozo. Explosões simultâneas culminaram no ataque mais sangrento da história na Espanha, matando quase 200 pessoas e ferindo cerca de 1 420. Assim, contribuíram decisivamente para a vitória do candidato da oposição, bem como para a retirada das tropas espanholas do Iraque logo após a composição do novo governo.

A prisão e a morte de Saddam

O ex-presidente iraquiano foi preso pelas forças americanas no Iraque em dezembro de 2003. Saddam foi encontrado em um porão na cidade de Abduar, a cerca de 30 quilômetros ao sul de Tikrit. Saddam foi capturado sem resistência e sem que um único tiro fosse disparado.

O ex-ditador foi considerado culpado de crimes contra a humanidade pela morte de 148 pessoas, a maioria xiitas, em Dujail, em 1982, após uma fracassada tentativa de assassinato contra ele.

Enforcamento de Saddam

No dia 5 de novembro de 2006, um tribunal em Bagdá condenou o ex-presidente à morte por enforcamento. Em 26 de dezembro, após três semanas de deliberações, o Tribunal de Apelações do Iraque manteve a pena de morte e determinou que a sentença fosse cumprida em um prazo máximo de 30 dias.

Em 30 de dezembro de 2006, o ex-ditador foi enforcado. O anúncio da morte de Saddam causou cenas de festa em Cidade Sadr, reduto xiita de Bagdá, onde pessoas dançaram nas ruas e tocaram as buzinas de seus carros. Cenas semelhantes também foram registradas em Basra e Najaf.

O presidente americano, George W. Bush, descreveu a execução como "um importante marco" para a construção de uma democracia iraquiana. Bush reconheceu, no entanto, que a morte de Saddam não vai acabar com a violência no país.

	Manifestação da população iraquiana com a morte d

Por que os Estados Unidos atacaram o Iraque?

O atentado de 11 de setembro [...] favoreceu o surgimento de uma histeria belicista em cujo desdobramento fez-se a guerra ao Afeganistão. Esta, entretanto, já estava sendo preparada [...] para garantir posições estratégicas junto às imensas jazidas petrolíferas do Mar Cáspio. [...]

Segundo comentaristas chineses, desde o fim da Guerra Fria os Estados Unidos vivem "a síndrome da falta do inimigo principal". A crise econômica e os golpes morais sofridos com as revelações de gigantescas fraudes na contabilidade de grandes empresas suscitaram a busca de um caminho que servisse para desviar a atenção da crise e dos escândalos, ao tempo em que promovesse a retomada do crescimento. No estreito horizonte de Bush e dos que dirigem o Pentágono, o caminho escolhido foi o da guerra.

[...]

Depois da aventura e da destruição perpetradas supostamente atrás de bin Laden, o alvo escolhido [...] voltou a ser o Iraque. [ ... ]

As grandes empresas internacionais do petróleo estão à procura de novas jazidas que cubram o aumento da demanda previsto no mundo. O Iraque [...] é objeto de elevada cobiça. [...] Mas as razões que levaram o governo Bush à guerra no Iraque teriam que ser dissimuladas, encobertas por outras mais respeitáveis. As tentativas de vincular o governo do Iraque com grupos terroristas,[...], não surtiram efeito. Restaram as "evidências" apresentadas pelo governo Bush sobre a existência de fábricas de armas químicas e de destruição em massa em funcionamento no Iraque.[...]

A diplomacia de guerra dos Estados Unidos procurou desmontar qualquer foco de resistência à sua política beligerante e à sua determinação de depor Saddam Hussein. Uma das primeiras vítimas dessa nova ofensiva diplomática foi a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), uma organização internacional independente, afiliada à ONU, criada em 1997, e sediada nos Países Baixos, com o objetivo de implementar a Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Estocagem, Produção e Uso de Armas Químicas e sobre sua Destruição. Seu diretor geral era o embaixador José Maurício Bustani, respeitado diplomata brasileiro. [...]

	Ocupação de militares ao Iraque

O embaixador brasileiro levantou a hipótese de se fazer inspeção não só no Iraque, mas também em outros países, como nos Estados Unidos [...]. Não conseguiu terminar seu mandato. A diplomacia norte-americana mobilizou-se, articulou, comprou votos, definiu a situação como emergencial e colocou Bustani para fora [...].

O Iraque, então, começou a movimentar-se diplomaticamente. Quando os Estados Unidos contavam com a intransigência iraquiana para não permitir a entrada dos inspetores de armas, e assim dar justificativa para a guerra desejada pelos norte-americanos, eis que a diplomacia do país árabe surpreende, permitindo a ida ao Iraque, sem condições, dos inspetores. Os Estados Unidos [...] passam a exigir da ONU uma resolução que autorize, ante qualquer dificuldade que surja, o uso automático da força contra o Iraque [...]: ou a resolução é aprovada como queriam os Estados Unidos ou ela seria irrelevante, porque os Estados Unidos fariam o que achassem necessário à sua segurança. A ONU resistiu, a China, a Rússia e a França manifestaram-se contrárias à autorização pretendida.[...]

Apesar disso [...], o vice-premiê iraquiano, Tareq Aziz, sentenciou: "Para ser honesto, não creio que o fato de termos aceitado a resolução e de os inspetores não encontrarem nada em nosso território conseguirá evitar a guerra ". [...]

	Campos de petróleo

Fonte:


LIMA, Haroldo. Por que os Estados Unidos querem atacar o Iraque? Princípios. nº 67, ano 2002.


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