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A Questão da Iugoslávia

No início da década de 1990 desencadearam-se vários processos de fragmentação territorial da Iugoslávia.

Postado em 10/06/2010 | 0 Comentário(s) | 9406 Acessos

Formado em 1945 a partir do que havia sido, antes da guerra, o Reino da Iugoslávia, o país adotou, a princípio, o nome Iugoslávia Democrática Federal. Em 1946, seu nome foi alterado para República Federativa Popular da Iugoslávia e novamente, em 1963, para República Socialista Federativa da Iugoslávia - país multiétnico que tem hegemonia dos sérvios - composto por seis repúblicas (Sérvia, Motenegro, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina e Macedônia) e duas regiões autônomas (Voivodina e Kosovo).

O primeiro presidente do novo Estado foi Ivan Ribar, com Josip Braz Tito como primeiro-ministro. Em 1953, Tito foi eleito presidente e posteriormente, em 1963, indicado presidente vitalício.

Até o final da década de 1980, a antiga Iugoslávia apresentava uma relativa estabilidade política interna, reunindo povos de origens étnicas e culturais muito diversas. Assim, em um mesmo território conviviam sérvios, croatas, bósnios, eslovenos, macedônios, húngaros e albaneses, onde eram falados quatro idiomas diferentes e professadas três religiões.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, esses povos mantiveram-se unidos pelo carisma do dirigente supremo do Partido Comunista iugoslavo, o ditador Josep Braz Tito. Ainda que· tenha realizado um governo autoritário, Tito promoveu importantes reformas econômicas e sociais, que garantiram um longo período de prosperidade para o país.

Prédio destruído em Belgrado

Com a morte do ditador em 1980, a Iugoslávia entrou em uma profunda crise econômica, que provocou desentendimentos entre os dirigentes políticos e fez ressurgir os sentimentos separatistas entre os grupos étnicos dominantes. Dessa forma, no início da década de 1990 desencadearam-se vários processos de fragmentação territorial da Iugoslávia, com a declaração de independência de quatro repúblicas autônomas: Eslovênia, Croácia e Macedônia, em 1991, e Bósnia-Herzegóvina, em 1992. Contudo, diferentemente do desmembramento da antigaTchecoslováquia, na Iugoslávia esse processo foi acompanhado de sangrentos conflitos armados. Isso porque a República Sérvia, até então o centro do poder iugoslavo, não admitiu a separação das outras repúblicas, tentando reverter esse quadro por meio do uso de suas forças militares.

Assim, os sérvios atacaram de forma brutal várias cidades e regiões da Croácia e da Bósnia, repúblicas com maiores comunidades sérvias. Na Croácia, os combates duraram mais de um ano. Já na Bósnia, a guerra foi mais violenta, e houve a necessidade da intervenção de tropas da ONU, que com muita dificuldade conseguiram assegurar o fim dos conflitos.

As guerras pela independência na antiga Iugoslávia deixaram um saldo de milhares de civis e militares mortos, assim como um grande número de refugiados. Em 2002, a Iugoslávia deixa de existir, formando uma nova federação composta pela Sérvia e Montenegro. Mesmo após o estabelecimento das atuais fronteiras, a Sérvia, ainda mantém focos de tensão no interior de seu território, sobretudo na província de Kosovo.

Jato iugoslavo abatido em conflito

Sérvia e Montenegro foi um estado federal com aproximadamente três anos de duração (de 2003 a 2006) situado nos Balcãs, último vestígio da antiga Iugoslávia, e composto, como o nome indica, pelas repúblicas da Sérvia e de Montenegro. O povo de Montenegro votou pela saída do país da federação em 21 de maio de 2006. A vitória foi apertada, com 55,5% dos votos, apenas 0,5 ponto percentual a mais do necessário para a decisão do referendo e reconhecimento da independência por parte da União Europeia.

Em 3 de junho de 2006, em referendo popular, optou-se pela dissolução do Estado Federal. No lugar, há dois novos países: a República da Sérvia e a República de Montenegro. E o reconhecimento da nação da República de Montenegro só veio,dois dias depois em 5 de junho de 2006.

A separação de Sérvia e Montenegro marca o fim formal do que restou da Federação Iugoslava. Com a separação, a Sérvia tem como capital Belgrado e seu presidente é Boris Tadic, já Montenegro tem em Podgorica sua capital e seu presidente é Filip Vujanovic.

	Mapa da antiga Iugoslávia, destacando Kosovo

A questão de Kosovo

Apesar de ser formalmente uma Província da Sérvia, Kosovo é administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1999. Mas tem seu próprio governo e Parlamento.

A ONU assumiu o poder depois que uma ofensiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) forçou a saída de tropas sérvias, que eram acusadas de perseguir a população albanesa, majoritária em Kosovo.

Na época, o governo sérvio alegou que suas forças estavam respondendo a um levante de separatistas albaneses armados. Kosovo quer sua independência.

A Declaração de Independência do Kosovo de 2008 foi um ato das Instituições Provisórias do Governo Autônomo da Assembleia do Kosovo adotado em 17 de fevereiro de 2008, que declarou o Kosovo como um país independente da Sérvia.

Em abril daquele mesmo ano, o enviado especial da ONU, Martti Ahtisaari, apresentou um plano que oferecia a Kosovo uma "independência supervisionada".

Segundo o plano, agências internacionais levariam gradualmente Kosovo à independência completa e à entrada na ONU.

Isso evitaria que Kosovo se anexasse à Albânia ou tivesse suas regiões de predominância sérvia separadas para se tornarem parte da Sérvia.

Após 3 anos de declaração de sua independência, Kosovo, que tem sua capital em Pristina, teve seu reconhecimento por diversos países tais como os Estados Unidos e a maioria dos membros da União Europeia que são favoráveis à independência e reconhecem Kosovo como país independente. Recentemente, Montenegro estabeleceu relações diplomáticas com o Kosovo.

	Manifestação nas ruas de Kosovo

Fonte:


Tiberigeo Tiberiogeo. A Geografia Levada a Sério.


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