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Migração populacional

Na Europa, os imigrantes somam 56,1 milhões de pessoas - cerca de 10% são ilegais.

Postado em 06/06/2010 | 0 Comentário(s) | 22908 Acessos

A palavra migração vem do latim migro, que significa "ir de um lugar para outro". Assim, o que denominamos migração demográfica é o deslocamento realizado por um indivíduo ou por um grupo de pessoas, que se desloca de um lugar para outro no qual pretende viver, fixar residência. A população que realiza esses deslocamentos é denominada migrante; se esse movimento for de saída (de seu país de origem, por exemplo), também é conhecida como emigrante. O movimento contrário, de entrada, distingue os imigrantes. O saldo entre o número de imigrantes e emigrantes é a migração líquida, ou saldo migratório, o qual tanto pode ser negativo como positivo.

Quando o movimento migratório ocorre de uma nação para outra é chamado de migração externa; já a migração interna é a que se realiza dentro de um mesmo país. Entre as migrações externas mais importantes da atualidade destaca-se a dos países subdesenvolvidos para os países desenvolvidos, que têm as melhores ofertas de trabalho, além da possibilidade de uma vida melhor. Contingentes significativos da população dos subdesenvolvidos vêem-se atraídos por esses benefícios, e, assim, deixam seus territórios de origem.

Tipos de migrações

Êxodo rural: é o processo de saída do homem do campo para as cidades. Normalmente é um processo definitivo;

Êxodo urbano: é o processo de saída do homem da cidade para o campo;

Pendular: constituem deslocamentos diários de milhões de trabalhadores que moram na periferia e nos subúrbios, pela manhã, em direção ao centro, retornando a seus lares após a jornada de trabalho;

Intra-regional: é uma migração interna, realizadas dentro de uma mesma região de um país;

Inter-regional: é uma migração também interna, realizadas dentro de um país só que de uma região pra outra;

Desterritorialização: é o processo no qual a população de um país, região é obrigada a deixar sua área por uma série de razões, seja por ordem natural, política, guerra, etc;

Transumância: é o deslocamento sazonal, que estão relacionadas as estações do ano. Essas migrações são do tipo “vai-e-volta”, isto é, o indivíduo desloca-se de sua área de origem para outra área, retornando posteriormente;

Transfronteiriço ou Commuting: é o movimento de pessoas que diariamente atravessam a fronteira entre dois países para trabalhar, usar serviços etc.;

Nomandismo: se caracteriza pelo deslocamento constante de povos ou tribos em busca de alimentos, pastagens etc. Os povos nômades não têm habitação fixa, morando quase sempre em tendas desmontáveis.

Processo migratório nos países desenvolvidos entre os séculos XIX e XX

Uma explosão demográfica tomou conta da Europa no fim do século XIX e no início do XX. A ciência melhorara a qualidade de vida e mais pessoas sobreviviam às doenças, aumentando a expectativa de vida e elevando as taxas de natalidade. Ao mesmo tempo, crises agrícolas causaram a escassez de alimentos em razão da devastação provocada por sucessivas guerras. A solução para o excedente de população estava em países longínquos como os do continente americano, carentes de mão-de-obra.

Nações como o Brasil prometiam terras e a possibilidade de realização do sonho de riqueza e, assim, atraíam trabalhadores italianos, alemães, espanhois e japoneses. Entre 1890 e 1899, entrou no país 1,2 milhão de imigrantes. O número equivale ao de estrangeiros no Censo de 1940 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na primeira metade do século XX, as migrações do velho mundo (Europa) em direção ao novo mundo (Américas) continuariam, embora em menor número.

A migração é uma alternativa para muitos

Inversão de rota

Nos últimos 50 anos, porém, a situação se inverteu. Os países desenvolvidos viram sua população diminuir. A tendência foi verificada depois da 2ª Guerra Mundial, quando as taxas de natalidade caíram, causando o envelhecimento da população. Ao mesmo tempo, houve elevação do nível educacional. A partir daí, passou a faltar trabalhadores para os serviços pesados e mal remunerados, desprezados pela população nativa. Isso ocorreu em países como os Estados Unidos, o Japão e nos da Europa Ocidental. Foi aí que se inverteu a mão da rota da corrente migratória.

Atualmente, o número de migrantes no mundo inteiro chega a 200 milhões. O principal fluxo migratório, de cerca de 60%, sai dos países pobres e em desenvolvimento rumo aos desenvolvidos. Neles, no entanto, as vantagens oferecidas tanto à população nativa quanto ao imigrante não são as mesmas de décadas atrás. De maneira geral, o Estado já não é capaz de sustentar o crescimento de benefícios como aposentadoria e seguro-desemprego para as populações cada vez mais envelhecidas. Além disso, a globalização facilitou a migração de empresas e pessoas, com vantagem para os que são "competitivos" - com alto nível de educação e de especialização.

Nesse contexto, os imigrantes qualificados se sentem atraídos pelos países mais ricos, onde os salários são mais elevados. É o que se chama de "fuga de cérebros" das nações pobres. Esse tipo de emigração, bastante seletiva, vem ocorrendo nos últimos anos. Isso ocorre mesmo nos casos em que o cargo a ser ocupado é inferior à do país de origem. Dados do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud) de 2006 mostram que os 10% da população de renda mais baixa na Noruega ganham mais que os 10% mais ricos de 57 países, entre eles Ucrânia, Egito, Índia e Paquistão.

A Xenofobia

A concorrência entre os habitantes do país e os imigrantes por postos de trabalho e as diferenças culturais têm gerado tensão nos países ricos, a ponto de os governos instituírem políticas restritivas à entrada de mais imigrantes e de as fronteiras europeias, norte-americanas e australianas passarem a ser protegidas por muros e cercas e vigiadas constan¬temente por câmeras e guardas.

A aversão aos estrangeiros, chamada de xenofobia, se expressa também nas urnas. Governos de direita - tradicionalmente contrários aos imigrantes - vêm ganhando força com propostas de endurecimento às leis de imigração e combate aos clandestinos como forma de proteger os interesses dos cidadãos naturais da terra. O terrorismo, outra forte causa de xenofobia atinge principalmente os imigrantes de origem árabe e muçulmanos, mas leva desconfiança aos demais. Um triste exemplo foi o caso do brasileiro Jean Charles de Menezes, que vivia ilegalmente em Londres e foi assassinado pela polícia inglesa no metrô em julho de 2005, confundido com um terrorista.

Manifestação contra a xenofobia

Barreiras

A pobreza decorrente do desenvolvimento desigual do planeta, agravada nas últimas décadas pela globalização, é um dos motivos que intensificam a corrida migratória. Outro são os conflitos, como os da África e do Oriente Médio, que fazem aumentar o número de refugiados. Antes abertos aos imigrantes, países como Cana¬dá, Austrália e, sobretudo, Estados Unidos passaram a restringir a imigração, preferindo acolher apenas a mão-de-obra qualificada e, portanto, mais apta a contribuir para o enriquecimento do país.

Um exemplo de zona de tensão está na fronteira dos EUA, o país mais rico do mundo, com o México. Na Europa, os imigrantes somam 56,1 milhões de pessoas - cerca de 10% são ilegais. Os obstáculos naturais enfrentados para chegar ali também são dificílimos de transpor. Os africanos, por exemplo, atravessam o imenso Saara a partir de diversos pontos até chegar às praias do Mediterrâneo na esperança de burlar a vigilância e alcançar país europeu escolhido. Quando conseguem entrar no país escolhido, os imigrantes caem na mira de policiais.

Clandestinos, levam vida difícil, são alvo de discriminação, exploração em subempregos e vitimas de violência, pois não podem recorrer à polícia para denunciá-la. Estimativas do UNODC (órgão das Nações Unidas contra o crime e drogas) indicam que o tráfico internacional de mulheres, crianças e adolescentes movimenta a cada ano entre 7 bilhões e 9 bilhões de dólares, sendo uma das atividades mais lucrativas do crime organizado transnacional.

Algumas vezes, mesmo imigrantes legalizados e seus descendentes nascidos no novo país enfrentam problemas decorrentes da falta de oportunidades e, descontentes, geram focos de instabilidade. Em outubro e novembro de 2005, na França, uma onda de protestos contra a exclusão social e a repressão policial tomou os subúrbios de Paris, reduto de populações descendentes de imigrantes. Os protestos vieram de jovens que colocaram fogo em carros e enfrentaram a polícia. Na França, 8% da população é de origem estrangeira. A maioria originária de países africanos (2,2 milhões), principalmente da Argélia, antiga colônia. Em seguida, estão os imigrantes oriundos de nações vizinhas europeus (1,7 milhão).

A tendência da população mundial é crescer mais nos países pobres e em desenvolvimento, onde a taxa de natalidade é maior. Para conter o fluxo e ainda sim aproveitar os benefícios econômicos da imigração, os países desenvolvidos têm adotado medidas de controle da situação, como concessão de vistos de trabalho temporário e legalização daqueles que já estão há muito tempo no território, e procuram evitar a migração de familiares dos já residentes. Só há facilidade de aceitação nos casos em que o imigrante é qualificado para trabalhos especializados.

Nas regiões mais pobres, o fenômeno da "fuga de cérebros" preocupa. A situação chega a extremos como no Caribe e na África, onde 50% dos profissionais qualificados migram. São cientistas, professores, médicos, pesquisadores qualificados. Na África do Sul, os médicos emigrantes são 9 mil dos 33 mil graduados por ano. No Brasil, 2,2% das pessoas com educação superior optam por emigrar, segundo o Banco Mundial.

	Barreira entre os EUA e o México

Migração interna no Brasil

As persistentes desigualdades entre as regiões do Brasil são há décadas motivo para migrações internas. Pelas contas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 39,8% da população, cerca de 72 milhões de brasileiros, vive fora do município de origem. A maioria está em idade economicamente ativa, entre 18 e 39 anos.

Comparando-se os dados recentes aos do Censo de 2000, verifica-se que o volume de migrantes que circulam entre as regiões do país caiu de 5,2 milhões para 4,8 milhões, um decréscimo de 7%. O Sudeste deixou de ser o principal destino das migrações. Isso ocorre em razão do aumento de investimentos no interior, principalmente na Região Centro-Oeste, que passou a atrair a maioria dos migrantes brasileiros, tendo 36,3% de população vinda de fora.

Segundo o IBGE, atualmente Mato Grosso é o estado líder em crescimento na participação do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, resultado da expansão agrícola e da indústria. Os números tam¬bém evidenciam o avanço de migrantes em direção à Amazônia. No entanto, uma tendência histórica se mantém: a região que mais "exporta" migrantes ainda é a Nordeste. Nordestinos totalizam 33% da população em outras localidades do país.

Mas o Nordeste também vive a "migração de retorno". Entre 1999 e 2004, 714 mil nordestinos regressaram à região. Os estados onde esse movimento é mais evidente são: o Maranhão, com um aumento de 79%, e o Rio Grande do Norte, com crescimento de 54%.

O fator determinante para o retorno é a desconcentração industrial em benefício de todas as regiões do país.

A força do imigrante

O poder do imigrante na economia mundial cresce na mesma medida em que as correntes migratórias se fortalecem, apesar da vigilância. Além de assumir subempregos e produzir riquezas na nação escolhida, ele envia grandes quantias à família no país de origem. Em 2005, as remessas oficiais totalizaram 167 bilhões de dólares. Contando com os envios informais - aqueles que não passam por instituições bancárias -, estima-se que valor passe de 450 bilhões.

É um dinheiro que acaba sendo fator de redução da pobreza, já que é usado pela família nos país de origem, sobretudo para alimentação, saúde e educação. Nos EUA, os imigrantes são responsáveis por produzir cerca de 1 trilhão de dólares por ano em bens e serviços, o que representa 10% do PIB norte-americano. Em 2006, o fluxo de remessas para a América Latina e para o Caribe foi de 62,3 bilhões de dólares, 14% a mais do que em 2005, su¬perando o fluxo de investimentos diretos e ajuda financeira para a região, segundo o Fundo Multilateral de Investimentos (Fomin) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

	Migração de nordestinos

Consequências das migrações

Dentre as muitas consequências dos movimentos migratórios, podem ser mencionados:

Contribuição e influência no processo de ocupação e povoamento, na distribuição geográfica da população e, é claro, no próprio desenvolvimento econômico;

Contribuição no processo de miscigenação étnica e na ampliação e difusão cultural entre os povos;

Quando a emigração significa a perda de trabalhadores adultos qualificados, bem como de técnicos e cientistas de alto nível, os prejuízos para o país emigratório são enormes, ao passo que para os países imigratórios as vantagens econômicas são muito grandes, porque eles estão recebendo indivíduos prontos para produzir sem que tenham arcado com os elevados custos de sua criação e formação;

Podem acarretar mudanças de costumes, concorrência à mão-de-obra local e problemas políticos, ideológicos, raciais (formação de grupos raciais minoritários e socialmente isolados - os quisitos raciais) etc.;

Vantagens econômicas para os países que não possuem condições de atender às necessidades básicas de sua população, tais como emprego, moradia, saúde e educação;

Por tudo o que estudamos até aqui (conflitos, guerras, discriminação, adaptação de migrantes), podemos concluir que o grande desafio para os países, no século XXI, será o respeito às diferenças, a convivência entre os povos e a aceitação do pluralismo cultural.


Fonte:


Tiberigeo Tiberiogeo. A Geografia Levada a Sério.


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