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Os Transgênicos

A indústria investiu pesadamente na tecnologia e só agora começa o retorno. O mercado global vale anualmente 3 bilhões de dólares e pode valer 25 bilhões.

Postado em 04/06/2010 | 0 Comentário(s) | 3449 Acessos

As plantas trangênicas são assim chamadas porque recebem um ou mais genes de outro organismo para ganhar características supostamente capazes de melhorar seu desempenho produtivo e sua resistência a pragas e doenças. De olho nos possíveis benefícios econômicos prometidos pelas safras transgênicas, os norte-americanos já disseminaram esses organismos em 60% dos alimentos processados em seu país. Mas o que essas plantas mutantes podem causar ao meio ambiente e à saúde humana e animal é ainda uma grande especulação em terreno desconhecido.

Enquanto ativistas tentam destruir a credibilidade dos experimentos com vegetais genericamente modificados arrasando plantações, cientistas, advogados, políticos, grupos ambientalistas e de consumidores, corporações, imprensa, burocratas, acadêmicos, fazendeiros, indústrias alimentícias e comerciantes estão envolvidos numa batalha global em torno de uma tecnologia que tem apenas cinco anos de mercado.

 

Os OGM's

Hoje vários países cultivam transgênicos comercialmente. Esses vegetais ocupam mais de 41 milhões de hectares do planeta, 72% deles só nos EUA. Milhares de variedades estão sendo testados no mundo.

Em poucos anos, a maior parte da Terra pode ser inundada com transgênicos. A Europa, porém, é outra história. Há uma moratória no plantio comercial desses vegetais que a Comissão Europeia está prestes a anular, para a fúria dos grupos antitransgênicos.

A indústria investiu pesadamente na tecnologia e só agora começa o retorno. O mercado global vale anualmente 3 bilhões de dólares e pode valer 25 bilhões em 2010. Mas a mudança na percepção do público também custou milhões de dólares em mercados perdidos.

Os riscos são igualmente altos para os ativistas, que vêem os transgênicos como uma causa social, ética e ecológica. Seu maior sucesso ainda é a Europa, onde grupos de pressão poderosos dizem que a demanda por tais alimentos quase cessou e muitas redes de supermercados e indústrias estão se comprometendo com alimentos livres de transgênicos, pelo menos em suas próprias marcas.

Os cientistas que desenvolvem a segunda geração de transgênicos esperam persuadir os consumidores agregando a esses produtos benefícios para a saúde, como vitaminas adicionais ou redução de gorduras. O sucesso disso depende do que ocorre nos EUA. Lá, pesquisas apontam que o apoio aos transgênicos entre consumidores e empresas de alimentos e de bebidas caiu. No Japão, maior importador de transgênicos, um abaixo-assinado com mais de 23 milhões de nomes solicitando a fazendeiros americanos que não plantem transgênicos pressionou o governo a adotar uma severa rotulagem.

 

Símbolo dos Transgênicos

Temendo a implosão do mercado americano, sete empresas de transgênicos estão gastando 50 milhões de dólares para "construir um apoio público para os transgênicos", ligando-os aos benefícios potenciais para a medicina.

O Banco Mundial busca meios que possam desenvolver a agricultura de transgênicos no Terceiro Mundo. "O banco forneceu centenas de milhões de dólares para desenvolver a agricultura, incluindo a biotecnológica, em países como Quênia, Zimbábue, Indonésia e México, e assegurou que alimentar o mundo é ´inconcebível` sem a engenharia genética", disse Luke Harding, um ativista e escritor britânico.

Com tanta incerteza, muitos países temem cultivar apenas transgênicos. A Tailândia desistiu de plantar arroz modificado por não saber se poderia exportá-lo. Enquanto isso, a indústria é acusada de se aproveitar de países onde há pouco ou nenhum controle regulatório. As empresas dizem que trabalham dentro das leis existentes e ás vezes até ajudam a esboçar uma legislação de biossegurança.

Uma ecologista russa declarou que as empresas pagam diretamente a institutos de pesquisa do país para plantar transgênicos, driblando o sistema regulatório. Na China, onde se cultivam algodão e tabaco transgênicos, uma lei requerendo rotulagem de sementes genericamente alteradas será a primeira restrição do país a esses vegetais.

 

Foi assinado o primeiro tratado regulando o comércio de transgênicos. O protocolo de biossegurança permitirá que países barrem importações de plantas e outros organismos transgênicos baseados em riscos sociais, sanitários,ambientais e sociais. Mas ele pode levar anos para ser traduzido em leis nacionais.

Um efeito indesejável já comprovado é a destruição da biodiversidade de insetos, com a quebra de sua cadeia alimentar. Nas lavouras de um milho transgênico resistente à praga da broca, por exemplo, constatou-se que seu pólen matava lagartas da borboleta Monarca, colocando-a em risco de extinção. Suspeita-se ainda que joaninhas que se alimentam de pragas presentes em lavouras de batata transgênica tenham seu tempo de vida reduzido.

Os EUA, o Brasil e a Argentina concentram 80% da produção mundial de soja, na sua maioria exportada para a Europa e para o Japão. Estes mercados consumidores têm visto no Brasil a única opção para a compra de grãos não transgênicos. São enormes as pressões que vêm sendo feitas sobre o governo brasileiro pelo lobby das indústrias e dos governos americano e argentino e sobre os agricultores brasileiros, através de intensa propaganda da indústria, para que os transgênicos sejam liberados e cultivados.


Fonte:


Tiberigeo Tiberiogeo. A Geografia Levada a Sério.


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