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A Cartografia

Existem várias maneiras de representar o espaço em que vivemos, um dos meios mais apropriados para reproduzir os elementos do espaço é o mapa.

Postado em 27/05/2010 | 0 Comentário(s) | 19869 Acessos

A cartografia pode ser definida como o conjunto de operações técnicas, científicas e artísticas voltadas para a representação da superfície terrestre por meio da confecção e do uso de mapas. Cada vez mais necessária não só para a análise geográfica como também para interpretações históricas, pesquisas geológicas ou trabalhos de engenharia, dentre muitas outras aplicações, a cartografia foi posta, em particular, a serviço das instituições militares, as quais sempre estiveram interessadas no desenvolvimento de novas técnicas de representação. Isso porque, associada à construção e à análise de mapas, a cartografia adquire maior significado estratégico.

O termo cartografia surgiu no século XVIII, mas a cartografia propriamente dita sempre esteve presente na vida política e econômica dos diferentes agrupamentos e sociedades que antecederam a época atual. Os gregos, por exemplo, que historicamente mantêm forte ligação com o comércio marítimo, foram responsáveis por um grande avanço da cartografia em vista da necessidade de conhecimento das rotas de navegação.

Os antigos romanos, ao expandirem seus domínios imperiais, passaram a ter grande dependência do mapeamento de rotas terrestres para deslocamento de seus exércitos. Isso os levou a confeccionar mapas das estradas com extrema riqueza de detalhes, contribuindo fortemente para o desenvolvimento cartográfico.

Durante a Idade Média, o desenvolvimento da cartografia teve outra acepção, passando a conter um significado religioso que substituía a realidade pela interpretação mística, modelando a paisagem segundo os princípios e crenças da fé cristã.

Com o advento do capitalismo comercial, houve uma retomada do desenvolvimento da cartografia. A necessidade de buscar novas fontes de riquezas e rotas de comércio intensificou a navegação nos séculos XVI e XVII, estimulando o aparecimento de instrumentos para facilitar a expansão marítima, tais como a bússola e o astrolábio. É nessa época, em que poucos acreditavam que o planeta fosse esférico, surgiram os primeiros cálculos precisos da circunferência da Terra, em léguas.

A Primeira Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra em meados do século XVIII, intensificou os avanços tecnológicos e propiciou uma expansão científica que se refletiu na cartografia, atribuindo-he um novo significado, essencialmente estratégico: percebemos que o conhecimento do território é de grande utilidade porque fornece informações precisas de um determinado local, facilitando o planejamento de estratégias políticas e militares. Hoje em dia, em que a alta tecnologia é a mola mestra da dinâmica industrial, o esquadrinhamento do globo é feito por meio da incorporação de novas tecnologias à cartografia, especialmente com o uso de satélites. O acesso a essas informações dá aos seus detentores significativa superioridade no aspecto político e militar.

A ocorrência das duas guerras mundiais (de 1914 a 1918 e de 1939 a 1945), bem como o longo período da chamada Guerra Fria, marcaram o século XX como o mais importante para o desenvolvimento da cartografia. Os conhecimentos das ciências da computação, associados ao sensoriamento remoto, propiciaram um avanço até então inédito na área. O desenvolvimento de técnicas de obtenção de fotografias e imagens de satélites ou orbitais constitui e possibilitou a produção de uma quantidade maior de mapas, dos mais variados temas, e com muito mais qualidade, rapidez e precisão.

Bússola, instrumento de uso geográfico

A representação do espaço

Existem várias maneiras de representar o espaço em que vivemos, por meio de desenhos, fotografias, palavras (descrevendo-as), etc. Uma dos meios mais apropriados para reproduzir os elementos do espaço é o mapa.

Mapa é a representação dos elementos de um determinado espaço na superfície plana, tornando-se um importante instrumento de orientação e de localização.

O mapa de Ga-Sur é o mapa mais antigo que se tem conhecimento, datado de aproximadamente 2500 a. C. e encontra-se no Museu de Bagdá (Iraque). Segundo os especialistas, representa um trecho do vale do Rio Eufrates.

Ao elaborarmos um mapa, os elementos do espaço precisam ser reduzidos, a fim de caberem numa folha de papel. Essa redução é feita por meio de escalas. Escala é a relação existente entre as medidas do mapa e as medidas reais. Todo mapa é feito de acordo com uma escala que indicará quantas vezes as medidas reais foram diminuídas.

Para a redução de uma projeção utiliza-se a unidade de medida; os múltiplos e submúltiplos do metro que são:

Submúltiplos: decímetro (dm); centímetro (cm) e milímetro (mm);
Múltiplos: decâmetro (dam); hectômetro (hm) e quilômetro (Km).
A escala deve ser indicada junto ao mapa ( em geral no canto inferior direito ), para que as pessoas possam saber o tamanho real das coisas nele representadas.

Os tipos de escalas

A escala utilizada para a construção de um mapa pode ser indicada de duas maneiras: com números (escala numérica) ou com gráficos (escala gráfica).

A escala numérica é representada por uma fração ordinária. O numerador da fração corresponde à medida no mapa; o denominador corresponde à medida real no terreno. O numerador é sempre a unidade (1), e o denominador indica quantas vezes as medidas reais foram reduzidas. Por exemplo: se um determinado mapa estiver na escala 1: 200.000 (um por duzentos mil), isso significa que cada unidade de distância no mapa (1 cm, por exemplo) corresponde a 200.000 unidades (200.000 cm, no caso) no terreno.
A escala gráfica apresenta-se sob a forma de um segmento de reta graduada, normalmente dada em quilômetros.

Nesse caso, a seqüência foi seccionada em cinco partes iguais, cada uma medindo 1cm. Isso significa que cada uma dessas partes no mapa (1 cm) corresponde a 200 km no terreno.

Um mesmo espaço pode ser representado em diferentes escalas, conforme o nível de detalhes que se quer atingir.

Os múltiplos e submúltiplos do metro

A legenda é outro instrumento indispensável na elaboração de um mapa, pois busca explicar as convenções cartográficas que são símbolos que representam objetos. A legenda, portanto, é uma espécie de código usado para decifrar a linguagem do mapa. Assim, antes de ler um mapa, é indispensável consultar a legenda, para entender a sua linguagem.

Para facilitar a leitura dos mapas, os cartógrafos convencionaram cada elemento do espaço, sempre com os mesmos símbolos. Por isso, os símbolos dos mapas são chamados de convenções cartográficas.

Além da escala e da legenda, junto aos mapas também devem apresentar a data em que eles foram elaborados, as fontes consultadas e o nome de seu autor.

É bom lembrar que foram os europeus que elaboraram os primeiros mapas-múndi corretos, visto que as grandes navegações a partir do século XV, proporcionaram que estes tivessem uma idéia mais aproximada de como é a superfície terrestre e de como se distribuem as grandes massas continentais e oceânicas em nosso.

	A escala gráfica e a legenda

Como calcular distâncias?

Usando a escala sabe-se que E = escala; D = distância na realidade e d = distância gráfica.

Para encontrar "E", utiliza-se a seguinte fórmula:

E = D / d

Exemplo: a medida real ( D ) é de 40 km e a distância gráfica ( d ) é de 5 cm

E = 40 / 5 cm = 8km

E = 1: 800.000cm

Para encontrar "D", utiliza-se a seguinte fórmula:

D = d • E

Exemplo: a distância gráfica ( d ) entre duas cidades é de 5 centímetros e a escala ( E ) é de 1: 800.000.

D = 5 x 800.000 cm

D = 5 x 8 = 40

D = 40Km

Para encontrar "d" utiliza-se a seguinte fórmula:

d = D / E

Exemplo: a escala ( E ) é de 1: 800.000 e a medida real ( D ) é de 40 km.

d = 40 km / 800.000

d = 40 / 8 = 5

d = 5cm

As projeções cartográficas

O impulso definitivo para o desenvolvimento da Cartografia deu-se a partir de 1569, com a publicação do mapa-múndi do cartógrafo belga Mercátor, que criou a projeção cilíndrica. Pela primeira vez uma projeção era utilizada para representar uma superfície esférica sobre uma superfície plana.

Para a elaboração de mapas utilizamos as projeções cartográficas que é a representação de uma superfície esférica (a Terra) num plano.

Grande problema da Cartografia consiste em ter de representar uma superfície esférica num plano, pois, é sabido, a esfera é um sólido não-desenvolvível, isto é, não-achatável ou não-planificável. Assim, sempre que achatamos uma esfera, ela necessariamente sofrerá alterações ou deformações.

Isso quer dizer que todas as projeções apresentam deformações em relação às distâncias, às áreas ou aos ângulos. Assim, cabe ao cartógrafo escolher o tipo de projeção que melhor atenda aos objetivos do mapa.

A maior parte das projeções existentes atualmente deriva dos três tipos ou métodos originais, a saber: cilíndrica, cônica e planas ou azimutais.

Projeção Cilíndrica: representa melhor as regiões próximas ao Equador, pois as regiões polares apresentam grandes deformações;

As projeções cilíndricas podem ser: equivalentes, que procura manter a proporção das áreas mas distorce a forma, e a projeção de Peters é um exemplo dessa projeção; e a projeção conforme, que mantém a forma, mas distorce as áreas, e a projeção de Mercato.

Projeção Cônica: apresenta paralelos circulares e meridianos radiais, isto é, retas que se originam de um único ponto. É usado principalmente para a representação dos países ou regiões de latitudes intermediárias, embora possa ser utilizado para outras latitudes;

	Projeção de Mercátor e de Peters

Projeção Plana ou Azimutal: resulta da projeção da superfície da Terra sobre um plano a partir de um determinado ponto. Esse tipo de projeção é utilizado para confeccionar mapas espaciais, principalmente os náuticos e aeronáuticos. Como mostra metade do mundo, é muito utilizado para representar as regiões polares.

A representação mais fiel da Terra é obtida através do globo terrestre. Porém, há uma inconveniência, o seu manuseio, daí a larga utilização de mapas.

O sistema GPS

GPS é a sigla da expressão Global Positioning System (Sistema de Posicionamento Global). A expressão refere-se ao sistema desenvolvido na década de 1960 pelo Departamento de Defesa dos EUA, com fins militares, e posteriormente disponibilizado para os civis. O GPS captura sinais de alguns dos satélites artificiais que foram colocados em órbita, segundo o projeto Navstar. A aparelho calcula a posição dos satélites por meio de sinais e determina com exatidão a posição de qualquer objeto na superfície da Terra, fornecendo para isso as coordenadas geográficas e a altitude do lugar.

A União Européia pretende colocar em funcionamento um concorrente do GPS, o Galileo Satellite System, que contará com 30 satélites.

	As projeções cartográficas

Fonte:


Tiberigeo Tiberiogeo. A Geografia Levada a Sério.


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