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Fundamentalismo Islâmico

Uma das principais características do fundamentalismo islâmico é a criação de partidos políticos, liderados por religiosos.

Postado em 14/03/2011 | 0 Comentário(s) | 14718 Acessos

Podemos definir fundamentalismo como a doutrina religiosa em que se deve obedecer, literalmente, a todos os princípios da fé. Sua origem data do início do século XX, nos Estados Unidos, quando determinados grupos protestantes enfatizavam que uma interpretação rigorosa da Bíblia era fundamental à vida e ao cristão. Tal definição pressupõe que a doutrina fundamentalista pode ser aplicada a qualquer religião, o que de fato ocorreu com o islamismo.

O islamismo é a religião árabe que prega a existência de um único deus, Alá (portanto, monoteísta). Criada pelo profeta Maomé, que viveu entre os séculos VI e VII, seus princípios básicos são, além do monoteísmo, a prece, o jejum, a esmola e a peregrinação a Meca, cidade onde se localiza seu santuário, a Caaba. O devoto do islamismo é o muçulmano, termo que deriva do árabe muslim, e que significa "submetido a Deus".

Ação de grupo extremo islâmico

Os muçulmanos devem seguir as escrituras divulgadas por Maomé, reunidas no livro sagrado chamado Corão. O cumprimento dos desejos de Deus é a base de sua fé. Uma de suas obrigações é "promover o bem e reprimir o mal". A "guerra santa" ou jihad representa o esforço domuçulmano para seguir o caminho indicado por Deus. O Corão, livro sagrado dos muçulmanos, traz todos os ensinamentos da doutrina islâmica. Constitui não somente uma diretriz religiosa, mas também para o cotidiano e para a política da "nação islâmica".

O fundamentalismo islâmico caracteriza a mais rigorosa aplicação dos preceitos do Corão, que constitui o fundamento da fé islâmica. Segundo esses preceitos, somente a interpretação literal do livro sagrado permitiria a sobrevivência do islamismo e sua expansão por todo o globo.

Uma das principais características do fundamentalismo islâmico é a criação de partidos políticos. Liderados por religiosos, esses partidos agregam os preceitos religiosos do Islã e os interesses do Estado. Essa fusão foi promovida pela primeira vez no Irã, quando a Revolução Islâmica, em 1979, levou ao poder o Aiatola Khomeini.

O Aiatolá Khomeini, líder religioso que, em 1979, transformou o país em uma República Islâmica, em que religião e Estado são vistos como uma só instituição. Nessa época, o mundo estava em plena Guerra Fria, e o Irã, por causa de suas reservas petrolíferas, sempre fora alvo dos interesses da antiga União Soviética e dos Estados Unidos que, com o Reino Unido, haviam levado ao poder Reza Pahlevi, o que implantou no país uma ditadura capitalista e pró-ocidente, propondo medidas liberalizantes, entre as quais a reforma agrária e a concessão do direito de voto às mulheres. Com isso, desagradou as principais facções do país, sobretudo as muçulmanas tradicionais. Nesse contexto a República Islâmica implantada pelo Aiatolá Khomeini foi vista como a solução para a manutenção da identidade cultural e resistência às potências ocidentais.

Khomeini

	A submissão das mulheres iranianas

Nas últimas décadas, a doutrina vem se fortalecendo e aumentando consideravelmente seu número de adeptos: entre todas, foi a religião que mais cresceu. Esse crescimento coincide com o avanço da globalizeção, como uma resposta à exclusão gerada por esse processo. Desempregados e excluídos em geral, especialmente nas nações desenvolvidas, aderiram ao islamismo.

Tal avanço por vezes é encarado como ameaça à nova ordem mundial, em que os Estados Unidos são a potência hegemônica. Essa preocupação é decorrente, entre outros fatores, da proposta dos partidos fundamentalistas de redução da influência ocidental. Para esses partidos, a modernidade imposta pelo ocidente afasta o homem dos seus valores religiosos e conseqüentemente do Criador, porque nela não existe espaço para as aspirações religiosas.


Fonte:


Tiberigeo Tiberiogeo. A Geografia Levada a Sério.


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