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Entenda como funciona o acelerador de partículas

Esse experimento busca entender basicamente não só a composição da matéria mas também o universo como um todo, as leis da física.

Postado em 23/05/2010 | 0 Comentário(s) | 3973 Acessos

O Grande Colisor de Hádrons (LHC), situado em um túnel subterrâneo circular de 27 quilômetros de extensão sob a fronteira franco-suíça, começou a circular partículas em novembro de 2009, depois de ser fechado em setembro de 2008 por um superaquecimento.

A experiência teve sucesso depois de duas tentativas frustradas. Pesquisadores dizem que isso abre portas para uma nova fase da física moderna, ajudando a responder muitas perguntas sobre a origem do universo e da matéria.

Acelerador de Partículas

As colisões múltiplas a uma energia recorde produzem dados que milhares de cientistas passarão anos futuros analisando.

Acelerar prótons a 7 trilhões de eletronvolts significa que eles correm a 99,99% a velocidade da luz (cerca de 300 mil km por segundo), ou 11 mil voltas por segundo no megatúnel de 27 quilômetros.

O resultado, que se obteve após de duas tentativas frustradas, abre portas para uma nova fase da física moderna, pois permitirá dar respostas a diversas incógnitas do Universo e da matéria, segundo os cientistas do Cern.

Poucos minutos depois das 13h00 de Genebra (08h00 de Brasília), os quatro detectores gigantes do acelerador de partículas Cern, espalhados em pontos distintos do túnel de 27 km de extensão que forma o superacelerador, registraram os choques dos feixes de partículas lançados em direções opostas.

O objetivo a curto prazo do feito alcançado pela colisão de prótons no LHC é alcançar, em dois anos, a colisão de 2,8 mil vezes em cada sentido para provocar milhões de choques, segundo o cientista Michael Barnett. Depois disso, segundo Barnett, haverá uma parada técnica de um ano no experimento.

Sete Tev é a metade da potência calculada do superacelerador. Somente após a parada técnica, na qual os cientistas revisarão minuciosamente todos os equipamentos, o LHC será religado para tentar alcançar a velocidade de 14 Tev, energia considerada mais próxima da produzida na criação do Universo.

O professor Gilvan Alves, do do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, explica a importância da experiência para a física.

"Pela primeira vez na história conseguimos atingir uma energia das partículas colidindo no LHC que nos permite um novo patamar de descobertas. Podemos acessar novas partículas. Até então estávamos limitados pela energia da colisão das partículas. Para entender isso melhor, a energia das partículas está ligada à velocidade delas, então no LHC os prótons são acelerados a uma velocidade praticamente 100% da velocidade da luz. Com isso eles atingem uma energia tão alta que nunca tinha sido obtida até agora. É essa energia que vai permitir a gente procurar por novas partículas que são previstas pela teoria, mas nunca foram observadas até hoje", disse Gilvan Alves

O que o homem busca descobrir nesse experimento?

Esse experimento busca entender basicamente não só a composição da matéria mas também o universo como um todo, as leis da física, o que dá massa paras as partículas, porque o próton e o elétron têm essa massa, o que acontece que uma partícula basicamente é desviada no campo magnético, no campo elétrico, como se dá essa interação entre as partículas, como é que a natureza funciona.

O homem está descobrindo como o mundo foi feito?

Basicamente isso. Estamos tentando entender o que dá ao universo essa aparência que a gente observa hoje, como o mundo chegou a essa aparência que a gente enxerga hoje.

O experimento pode provar se a teoria está certa ou não?

A gente está tentando provar essa teoria, exatamente, uma das coisas que seria interessante seria provar que ela está errada, porque a gente teria que começar tudo de novo, seria uma verdadeira revolução na física.

Que tipo de caminho essa descoberta de agora abre para a ciência?

Essas colisões de agora estão chegando a uma fração de segundo apos o que seria o universo após o Big Bang, então a gente está tentando entender o universo como ele era poucos instantes após o Big Bang. Para chegar realmente a entender toda a física ainda falta muita coisa.

Dá para calcular em quanto tempo?

Chegar ainda mais perto do que seriam as condições do universo do Big Bang, teríamos que ter uma máquina com maior energia do que o LHC hoje em dia, então isso ainda vai demorar bastante tempo. Muitos anos. É uma discussão para nossos tataranetos.

Ainda falta muito para descobrir como o universo foi feito?

Certamente ainda falta muita coisa, estamos começando, abrindo uma nova trilha e seguindo o caminho que vai levar a gente a entender melhor como funciona o universo mas nos ainda vamos ter que caminhar nessa trilha um bom tempo até chegar lá.


Fonte:


O Estadão

www.estadao.com.br


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