Vestibular UVA2016




O Estado Islâmico

Conhecido pelos métodos brutais, o Estado Islâmico amplia a sua atuação em vários países, desafiando a segurança mundial e desestabilizando o Oriente Médio.

Postado em 24/07/2016 | 0 Comentário(s) | 1074 Acessos

O grupo extremista mais poderoso do planeta mantém uma vasta rede de recrutamento e de financiamento para as suas operações.
Com um vasto território que abrange áreas do Iraque e da Síria, um enorme poder de mobilização e uma eficiente capacidade operacional, o Estado Islâmico (EI) é considerado a organização extremista mais poderosa e bem-sucedida da história. Sua ascensão está diretamente associada à política de "Guerra ao Terror" implementada pelo então presidente norte-americano George W. Bush (2001-2009) como resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 cometidos pela Al Qaeda, rede terrorista de Osama Bin Laden.
A ocupação do Iraque como parte da ofensiva dos EUA contra o terrorismo, entre 2003 e 2011, teve como um dos principais efeitos colaterais o surgimento de um movimento local contra a invasão norte-americana. Nesse contexto, surgiram diversas milícias que contestavam a presença de tropas dos EUA. Uma delas era a Al Qaeda do Iraque, uma filial da rede de Bin Laden. Criada em 2004, essa organização daria origem ao poderoso grupo que conhecemos hoje como Estado Islâmico.

Área de ocupação do EI

Nos anos seguintes à criação da Al qaeda do Iraque (AQI), o caos no Iraque e na Síria foi um terreno propício ao avanço do grupo: enquanto no Iraque há uma sucessão de disputas políticas e conflitos sectários (entre sunitas e xiitas), a Síria vive desde 2011 um confronto entre grupos rebeldes, apoiados pelas potências ocidentais, e o regime do ditador Basher al-Assad. Aproveitando o vácuo de poder e de segurança nessas regiões, a organização foi ganhando força, com frequentes fusões e trocas de nomes nesse perrcuso.
O ano de 2014 representou um marco na expansão do grupo. Em junho, o líder da organização Abu Bakr al Baghdadi proclamou a criação de um califado nos territórios ocupados sob a alcunha de Estado Islâmico e se autodenominou o califa (um líder espiritual investido de poder político). O califado é uma referência aos antigos impérios islâmicos surgidos após a morte do profeta Maomé - o último califado foi o Império Otomano, dissolvido em 1920. No entanto, este suposto califado carece de legitimidade mesmo dentro do mundo árabe-muçulmano.

Recrutamento de voluntários

A força do EI vem principalmente de sua capacidade militar e operacional. O número de integrantes do EI é de difícil verificação. As estimativas mais aceitas indicam que o grupo aglutina no mínimo 35 mil combatentes. Mas há avaliações que chegam a 100 mil militantes. No Iraque, o EI absorveu membros do antigo Exército de Saddam Hussein, desmantelado após a deposição do ditador, em 2003. Além disso, a população sunita passou a ser cada vez mais discriminada pelo governo pró-xiita, o que levou muitos a aderir ao grupo fundamentalista.
Mas o que impressiona é a capacidade do EI em atrair voluntários de todas as partes do mundo, inclusive do Ocidente. Muçulmanos que vivem em países da Europa, desiludidos com a segregação e a falta de oportunidades, aceitam engrossar as fileiras do EI com a promessa de salvação. Utilizando tecnologias de comunicação que vão de vídeos no YouTube a revistas online, o grupo manipula o discurso religioso para incitar o ódio e atingir seus objetivos políticos.
Acredita-se que os membros estrangeiros (fora da Síria e do Iraque) seriam provenientes de 80 países.
Como estratégia de guerra, o EI promove execuções e amputações em massa, às vezes contra comunidades inteiras, e mortes coletivas, por crucificação, decapitação e enforcamento. Essa imposição pelo terror visa a atemorizar todos aqueles que o grupo classifica de infiéis (minorias étnicas e reliogisas e ocidentais) ou apóstatas (muçulmanos que teriam renegado a religião). Como um grupo de orientação sunita, seus ataques atingem principalmente os xiitas.
As raízes doutrinárias do EI, em sua cruzada contra os infiéis, podem ser encontrados no wahabismo e no salafismo, movimentos sunitas ultraconservadores e radicais difundidos pela Arábia Saudita. Mas a organização não é movida apenas pelo ódio religioso. Com a instituição do califado, o grupo pretende criar uma nova ordem política no Oriente Médio e, a partir da conquista de novos territórios, um Estado genuinamente islâmico e uma sociedade livre dos costumes ocidentais.

Treinamento de crianças

Gestão do "Governo"

O EI controla um território de aproximadamente 100 mil quilômetros quadrados, área pouco maior que a de Portugal. Nesses domínios, onde vivem entre 8 e 10 milhões de pessoas, o grupo assumiu o controle de bases militares, bancos, hidrelétricas, campos de petróleo e galpões de alimentos, além de instaurar um governo próprio, com ministérios, cortes islâmicos e aparato de segurança. Atua, assim, como se fosse um verdadeiro Estado, impondo a sua caótica ordem.
A venda de petróleo extraído dos territórios que ocupa é uma das principais fontes de financiamento da organização. O contrabando do óleo para a Turquia - onde é vendido a preços bem abaixo dos de mercado - proporciona uma renda estimada entre 1 e 3 milhões de dólares por dia.
Outras formas de obter recursos são: a doação de indivíduos e instituições, principalmente da Arábia Saudita e do Catar, recompensas por estrangeiros sequestrados, o tráfico de milhares de objetos arqueológicos e antiguidades hidtóricas, a exploração de outros recursos naturais, como o fosfato, e a cobrança de impostos e taxas das populações submetidas a seu domínio.
A expansão do poder do EI levou várias facções fundamentalistas declarar lealdade ao califado. Estima-se que sejam atualmente pelo menos 30 grupos, de quase 20 diferentes países. O grupo nigeriano Boko Haram, considerado um dos mais violentos do mundo em 2015, foi um dos que juraram lealdade ao EI.

Mudança de Estratégia

Analistas avaliam que os atentados do final de 2015 marcam uma mudança de posição importante do EI. Desde que surgiu, o EI buscava atrair combatentes num território que conquistou, no Oriente Médio, e chamar os islâmicos de todo o mundo a jurar obediência a seu califado. Ao organizar ou apoiar ações terroristas no Egito, no Líbano, na França e nos EUA, o grupo passou a também projetar-se para fora da Síria e do Iraque, tendo como alvo alguns dos principais países que desenvolvem ações contra a organização.
Os atentados mais recentes indicam que vários desses militantes do EI foram enviados de volta a seus países de origem, para organizar ações terroristas. Toda a ação dos atentados de Paris teria sido organizada por integrantes do grupo que moravam na França ou na Bélgica.
O EI também começa a se expandir na ocupação de outros territórios. Em 2015, o grupo chegou até a Líbia, no norte da África. Como na Síria e no Iraque, o grupo aproveitou-se da fragilidade do Estado líbio, onde há disputas entre dois governos distintos. Estima-se que o EI tenha pelo menos 1,5 mil combatentes na região em torno da cidade de Sirte.

A Resposta do Ocidente

O avanço do EI, principalmente após a proclamação do califado em 2014, levou os EUA a comandar uma coalizão formada por cerca de 40 nações para realizar bombardeios aéreos contra bases da organização terrorista. Os ataques, que começaram em setembro de 2014, produziram resultados limitados e foram intensificados após os ataques em Paris.
Entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, o Exército iraquiano retomou a cidade de Ramadi, que havia sido capturada em maio pelo EI. Ramadi fica a 100 quilômetros da capital, Bagdá. Os bombardeios da coalizão também fizeram o EI perder territórios na Síria e no Iraque. Embora tenha sido um avanço na luta contra o grupo, analistas avaliam que será muito m,ais difícil a recuperação de cidades maiores.
O objetivo imediato dos EUA não é extinguir o EI, mas contê-lo, reduzindo o espaço geográfico sob seu controle. Um esmagamento completo do grupo é considerado praticamente impossível sem uma grande intervenção em solo, que é de difícil execução, tanto militar quanto politicamente. Após as fracassadas intervenções no Afeganistão e no Iraque, realizadas durante a Guerra ao Terror na década passada, a política de Obama tem sido pautada pela cautela quando se trata de intervenções militares em outros países.
Outro problema é o impasse em torno da coalizão organizada pelos EUA para combater o EI, já que é difícil separar essa iniciativa da situação da guerra civil na Síria, em que há divergências entre vários atores. Tanto EUA quanto União Europeia, Rússia e os principais aliados dos países ocidentais no Oriente Médio, como Arábia Saudita e Turquia, participam formalmente da luta contra o EI. Na Síria, entre, onde boa parte dos combates efetivos se desenvolve, os interesses são diferentes. E esse impasse tem sido fundamental para o fortalecimento do grupo extremista.


Fonte:


Atualidades Vestibular + ENEM 1º Semestre 2016


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