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Desertificação na Paraíba

Os especialistas alertam que se nada for feito e se o estado atual de degradação ambiental continuar, é provável que em 100 anos, o Semiárido paraibano esteja árido

Postado em 07/08/2011 | 0 Comentário(s) | 5605 Acessos

Relatório da Organização Não-Governamental (ONG) internacional Greenpeace revela que a Paraíba é o Estado do Nordeste mais atingido pelo processo de desertificação do tipo muito grave. A Paraíba é o estado mais atingido por desertificação, revela Greenpeace.

Aproximadamente 29% do território paraibano estariam enfrentando problemas, o que afeta diretamente mais de 653 mil habitantes. De acordo com a organização, 70% da Paraíba (em municípios que abrigam 1,66 milhão de pessoas, correspondendo a 52 % do total da população) já sofrem em algum grau o processo de desertificação. Os dados constam do relatório “Mudanças de clima, mudanças de vida”.

Em decorrência desse processo, pode faltar comida na Paraíba nos próximos 20 anos, alerta o engenheiro a agrônomo Antônio Carlos Pires de Melo, membro da Patac, instituição vinculada à Articulação do Semiárido. Segundo ele, a diminuição – e consequente fim – da produção de alimentos na zona rural vai resultar em alta no preço dos produtos consumidos nos grandes centros, que terão de buscar os insumos em outras regiões do País.

A Organização Meteorológica Mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) também lançou alerta  com base em estudos desenvolvidos a partir da intensificação de eventos climáticos como ondas de calor, enchentes, incêndios florestais e deslizamentos de terra.

Caatinga paraibana

Combater a desertificação não é essencialmente combater a erosão, salinização, assoreamento ou tantas outras consequências, mas sim eliminar as causas que provocam os danos no meio ambiente e na população. Na realidade para combater a desertificação no semiárido é necessário que haja uma mudança radical de visão do problema e na estrutura organizacional. Enquanto perdurar o modelo de crescimento econômico e não de desenvolvimento sustentável, os problemas sociais e ambientais continuarão.

No meio ambiente ocorrem mudanças naturais, próprias do processo evolutivo do planeta e, as causadas pelo ser humano, mais severas e degradatórias, que geram grandes prejuízos econômico, social, cultural, político e ambiental. A degradação das terras no Estado da Paraíba ocorre desde o nível baixo até o muito grave ou severo, e indicam os diferentes estágios de desenvolvimento do desastre da desertificação. Na realidade o processo da desertificação tem como um dos fatores a ocorrência da seca – um desastre de mais de 400 anos, muito complexo, longo e relativamente lento construído socialmente desde o início da colonização.

Por suas características o processo da desertificação pode passar desapercebido, a nova paisagem e a realidade socioeconômica instalada podem passar a serem consideradas como “naturais”, pela falta da percepção das modificações do espaço, temporal e histórica do processo evolutivo da região. O empobrecimento e a exclusão passam a ser um terreno fértil para a indústria da seca e o aproveitamento político das populações locais, que não conseguem por si só desenvolver uma cultura de convivência com o clima semiárido.

Processo de deserticação no Nordeste

O processo de desertificação é algo sério e que assusta. Os especialistas alertam que se nada for feito e se o estado atual de degradação ambiental continuar, é provável que em 100 anos, o Semiárido paraibano esteja totalmente árido. Isso significa que a vegetação da Paraíba corre sérios riscos de desaparecer de vez, o que seria catastrófico para a população.

Um levantamento feito pela Sudema revela que pelo menos 68% das matas paraibanas sofreram alguma interferência do homem e estão com sua fauna e flora comprometida afetando diretamente mais de 1milhão de paraibanos. As regiões com maior grau de ocorrência de desertificação apontadas no documento são o Seridó oriental e ocidental – composto por municípios como Barra de Santa Rosa, Salgadinho, Frei Martinho, Cuité e Picuí – e o Cariri ocidental. Nessas regiões a retirada da lenhas típicas da caatinga tem sido feito sem nenhum controle.

Os efeitos da desertificação no estado, segundo a geógrafa e técnica da Sudema Janizete Lins, são a perda da produtividade agrícola, maior degradação das terras, problemas com recursos hídricos, perda de poder aquisitivo do pequeno produtor e êxodo rural.

O mais preocupante é que apenas 1,42% do território paraibano é juridicamente protegido contra o desmatamento e outras ações que comprometem a existência de espécies vegetais e animais. O percentual corresponde às terras indígenas e às unidades de conservação federal e estaduais que ocupam 82,9 mil hectares.

O diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) Roberto Germano Costa observa que processo de desertificação no Estado é moderado à severo em terras do Cariri, Seridó e do Sertão. Mais de 200 municípios do Estado estão suscetíveis ao processo de degradação da terra, que compromete sua produtividade biológica e econômica.

Em comparação com os outros estados do Nordeste, o Ceará possui 52% da área afetada pela desertificação, enquanto o índice no Rio Grande do Norte é de 36% e em Pernambuco, de 25%. No Estado de Sergipe, o percentual de áreas sob risco de desertificação em algum grau chega a 12%, enquanto o Piauí tem 6% de sua superfície afetada, a Bahia 5% e Alagoas apenas 3,2%.

A ação do homem está entre os principais fatores que contribuem para a desertificação. A susceptibilidade à desertificação envolve vários fatores como o tipo de solo mais vulnerável, a intensidade das chuvas e a voracidade humana

Segundo o monitoramento do Ministério do Meio Ambiente, só na Paraíba foram desmatados 1.013 km² de caatinga no período de 2002 a 2008.

Entre os municípios com maior índice de desmatamento no período estão São José de Piranhas, com 71,7 km² (10,56% da caatinga no município); Cajazeiras com 59 km² (10,05% da caatinga no município); Santana de Mangueira com 26 km² (6,46%); Carrapateira, com 12,4 km² (17,15%); Remígio, com 12,2 km² (6,84%) e Pedra Branca, com 11,8 km² (6,07%).

No ranking dos estados que mais perderam vegetação, a Paraíba aparece na 6ª posição. Em primeiro está a Bahia, com uma área desmatada de mais de 4,5 mil km². Logo depois surge o Ceará, com 4,1 mil km² e o Piauí, com 2,5 mil km² de área devastada. Pernambuco perdeu 2,2 mil km² e o Rio Grande do Norte 1,1 mil km² de área. Após a Paraíba aparecem Minas Gerais, com 359 km²; Alagoas, que perdeu 353 km² de caatinga; Sergipe com 157 km² e o Maranhão, com 97 km² de área.

Segundo a Sudema, 19 espécies de plantas típicas da região estão ameaçadas de extinção, entre elas a aroeira-do-sertão, baraúna, umbuzeiro, giqui, taperebá, xique-xique e macambira.

	Gráfico demonstra o desmatamento no Nordeste

Fonte:


Taperoá; Espaço Ecológico no Ar; Diário do Brejo; Portal Passagem


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