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Nota da Dívida dos EUA é Rebaixada

A agência de classificação de risco Standard and Poor's rebaixou a nota da dívida americana de longo prazo para AA+

Postado em 01/11/2011 | 0 Comentário(s) | 3461 Acessos

A Standard and Poor's considerou que o acordo fechado entre o governo americano e o Congresso para elevar o teto do endividamento do país não foi suficiente para reduzir a preocupação com o futuro da economia dos EUA, para tanto, rebaixou a nota da dívida do país que tinha a nota máxima, AAA, para AA+. Esta foi a primeira vez na história que a agência classificou a dívida dos Estados Unidos abaixo do nível máximo.

Trata-se da primeira redução da nota dos Estados Unidos desde que obteve a classificação AAA da agência Moody's, em 1917, nota adotada pela S&P em 1941.

Durante o dia, quando surgiram rumores sobre um possível rebaixamento da dívida americana, integrantes não-identificados do governo disseram à mídia do país que a análise da situação econômica feita pela agência estava profundamente equivocada.

O rebaixamento pode corroer ainda mais a confiança dos investidores externos na economia americana, que já enfrenta dificuldades para sair da recessão, com enormes dívidas e uma taxa de desemprego de 9,1%, considerada alta para o país.

A acusação de que houve um erro de cálculo de US$ 2 trilhões foi feita pelo Tesouro americano ao "Wall Street Journal".

"Considerando um horizonte de longo prazo de 10 anos, o nível de endividamento líquido dos Estados Unidos no cenário atual seria de US$ 20,1 trilhões (85% do PIB previsto para 2021). Se levado em conta o cenário original [antes dos cortes de gastos], o nível de endividamento projetado seria de US$ 22,1 trilhões (93% do PIB de 2021)", disse a S&P, segundo o "Wall Street Journal".

 

A agência diz que a decisão de rebaixamento não foi afetada pela mudança no cenário.

Sede da Standard and Poor's

O chefe de risco soberano da S&P, John Chambers, admitiu que houve um erro, dizendo: "nós concordamos com a posição do Tesouro e nossos números refletem isso."

Mas Chambers acrescentou que o erro não faz diferença na classificação de risco do país porque não muda o fato de que a dívida vai crescer em relação ao PIB na próxima década.

A nota AAA permitia que o governo dos EUA tomasse emprestado recursos a uma taxa de juros mais baixa, uma vez que o governo é considerado estável e seus títulos, seguros. Com a mudança, títulos de países como Reino Unido, Alemanha, França ou Canadá passam a ser mais seguros que os norte-americanos.

S&P destacou que a perspectiva negativa aponta para a possibilidade de redução da nota para "AA" no prazo de dois anos caso o governo não reduza o gasto como prometeu, se as taxas de juros subirem ou se surgirem novas pressões fiscais piorando o panorama financeiro dos EUA.

Em seu comunicado, a S&P sugere que qualquer plano efetivo de redução do déficit exigirá cortes de ao menos 4 trilhões em 10 anos. O plano acertado entre o governo de Barack Obama e o Congresso prevê cortes de 2,4 trilhões.

Standard & Poor's é considerada a mais influente entre as três grandes agências de classificação de risco e mantém uma atitude mais agressiva em relação à dívida americana, cuja perspectiva foi reduzida de "estável" à "negativa" em abril passado.

Atualmente, há 17 países e três territórios (Hong Kong, Guernsey e Ilha de Man) cuja dívida está classificada como AAA pela S&P.

Entendendo a Classificação

O "rating" é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um "default", isto é, de suspensão de pagamentos.

Para publicar uma nota de risco de crédito, os especialistas dessas agências avaliam além da situação financeira de um país, as condições do mercado mundial e a opinião de especialistas da iniciativa privada, fontes oficiais e acadêmicas.

O "rating" é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, a agência prepara o "rating" desses títulos para que os potenciais compradores avaliem os riscos.

As agências, portanto, classificam debêntures, "medium-term notes", títulos de dívida conversível, mas não ações.

A nota de países é preparada a partir da iniciativa do emissor ou da empresa de "rating". As empresas de classificação de risco alegam que, mesmo sob encomenda, o "rating" é uma avaliação independente, porque também há preocupação com a credibilidade da própria agência.

O chamado "rating" global de um país, por exemplo, é sempre a avaliação que uma determinada agência tem sobre o risco dessa nação não pagar os títulos, de longo prazo, que lançou no mercado internacional.

Esses países também são encaixados em categorias. Se a agência considera um país como "bom pagador", ele é classificado na categoria "grau de investimento". Se é visto apenas como um pagador de risco razoável, fica na categoria "grau especulativo", que também inclui nações que declararam moratória de suas dívidas.

As agências monitoram constantemente os países ou empresas. Dessa forma, quando lançam um "rating", também avisam quais as chances dessa nota ser revisada no curto prazo.

Se o panorama é positivo significa que a nota tem maiores chances de ser melhorada. Se é negativo, as maiores chances são de que haja um "downgrade" (seja revisada para baixo, uma nota pior). Se é estável, há poucas chances de que seja mudada nos dois anos seguintes.

Letras e Sinais

As três agências de classificação de risco de maior visibilidade são a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch Ratings.

	Evolução da dívida dosEUA

As agências usam praticamente o mesmo sistema de letras e sinais. Assim, a melhor classificação que um país pode obter é Aaa (Moody's) ou AAA (Standard & Poor's) que, conceitualmente, significam "capacidade extremamente forte de atender compromissos financeiros".

Os sinais + ou - podem ser usados para denotar um status relativos entre as categorias de rating mais usadas.

Na ponta oposta, um título classificado como "C", para a S&P ou a Moody's, tem altíssimo risco de não ser pago.

"A taxa média de 'default' [moratória] entre 1970-2000 para títulos [classificados como] Aaa sobre um período de 10 anos foi de apenas 0,67", afirma a Moody's.

	Classificação de Risco

	Relação dos países mais seguros

Fonte:


Carta Capital e Veja


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