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China, Terra de Gigantes

O gigante asiático conta com reservas de quase 2 trilhões de dólares, graças aos seguidos superávits na balança comercial.

Postado em 06/07/2010 | 0 Comentário(s) | 4806 Acessos

Mesmo atingida pela crise internacional, a produção na China continua em crescimento e sua economia alcança a terceira posição entre as maiores do mundo, atrás da dos EUA e da do Japão.

A crise econômica iniciada no ano passado diminuiu o volume do comércio internacional, atingindo os países exportadores. A China não é exceção. Em franca expansão econômica desde a década de 1970, as vendas do país ao exterior caíram mais de 25% em fevereiro deste ano, na comparação com 2008. Os preços no mercado interno também baixaram (deflação), o que significa que os chineses estão consumindo menos.

Ainda que em ritmo mais moderado, o Produto Interno Bruto (PIB) do país não para de crescer. Em 2008, a economia chinesa avançou 9% e, para 2009, a expectativa é de expansão de até 8%. São resultados menos expressivos que a média dos últimos anos, mas são bem mais polpudos que os de outras importantes economias em desenvolvimento. Já a maioria dos países ricos - como Reino Unido, Alemanha, Japão e Estados Unidos - patina na recessão econômica. Por isso, os chineses são apontados como os principais responsáveis pelo crescimento da economia global neste ano.

O gigante asiático conta com reservas de quase 2 trilhões de dólares, graças aos seguidos superávits na balança comercial (quando o valor total das exportações é maior que o das importações) e aos investimentos estrangeiros no país. Ao lado da Índia, do Brasil e da Federação Russa, a China integra o Bric, sigla que reúne as quatro maiores economias de nações em desenvolvimento do mundo.

Para amenizar a queda do consumo interno, o governo chinês liberou, no fim do ano passado, um pacote de 585 bilhões de dólares (4 trilhões de iuans, a moeda chinesa). O dinheiro é direcionado a obras de infraestrutura (que criam empregos na construção civil, como pontes, ferrovias, aeroportos etc.), além de ajuda à indústria, estímulo ao crédito e redução de impostos.

Mapa da China

Na mira brasileira

O pacote de ajuda federal já dá novo fôlego à economia chinesa. Em março, a atividade industrial cresceu 8,3% na comparação com dados de 2008. Em janeiro e fevereiro, esse índice ficou em 3,8%. Nesse cenário, o Brasil aumentou em 63% as vendas de matérias-primas ao país entre janeiro e março. O resultado fez da China o mais importante destino das nossas exportações (até então, o posto era ocupado pelos Estados Unidos). Os principais produtos brasileiros vendidos à China são celulose, minério de ferro, petróleo e soja.

As relações comerciais entre Brasil e China podem aprofundar-se ainda mais. Atualmente, as duas maiores demandas chinesas são alimentos e energia, setores em que o Brasil é autossuficiente. A previsão é que a economia chinesa se recupere da crise já no segundo semestre de 2009 - mais rapidamente que a norte-americana, por exemplo. De olho nesse potencial, o presidente Lula esteve no país em maio, com o objetivo de diversificar as exportações brasileiras. O ponto principal da negociação foi a venda de carne de frango.

Desemprego

O crescimento econômico mais lento acentuou um grave problema social na China: o desemprego. O país tem a maior população do globo, mais de 1,3 bilhão de pessoas, e a economia precisa crescer muito para absorver todo mundo. Com o crescimento menor da produção, fábricas fecharam, demitindo seus funcionários. Até agora, 20 milhões de pessoas que haviam migrado para os centros urbanos perderam o emprego e tiveram de retomar para o campo.

O governo chinês afirma que precisa manter o ritmo de crescimento anual em 8%, no mínimo, para conseguir criar 10 milhões de empregos e, assim, garantir a estabilidade social. Esse é o número de pessoas que deixam as áreas rurais em busca de trabalho nas cidades chinesas todos os anos. As autoridades temem que a perda em massa de trabalho possa provocar manifestações contra o governo comunista.

Fila de desempregados na China

Terceira economia mundial

Nas últimas décadas, a média de crescimento do Produto Interno Bruto chinês foi de 9% ao ano. Em 2007, com um crescimento de 13%, a China chegou ao terceiro lugar entre as maiores economias do globo, à frente da Alemanha e atrás apenas da dos EUA e do Japão. O PIB chinês é equivalente à soma das economias brasileira e italiana, duas das dez maiores do mundo.

O modelo de desenvolvimento adotado se baseia na abundância de mão de obra mal remunerada, na distribuição de subsídios estatais (ajuda do governo aos produtores por meio de incentivos financeiros), na atração de investimentos estrangeiros, na instalação de fábricas montadoras (que importam peças e montam produtos no país) e na exportação de mercadorias baratas.

Os dirigentes chineses deram o nome de "economia socialista de mercado" ao sistema econômico vigente no país. Ou seja, um paradoxo entre socialismo - que pressupõe a propriedade coletiva dos meios de produção - e a economia de mercado, na qual a produção está em mãos privadas.

O PIB por setor chinês apresenta-se da seguinte maneira: Indústria 50%; Serviços 40%; e Agricultura 11%.

Em 2001, a China entrou de vez no mundo globalizado ao ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC) após 15 anos de negociação. Com isso, o país passou a se submeter a certas regras do comércio internacional, incluindo a liberação de investimentos de empresas estrangeiras em setores estratégicos, como bancos e telecomunicações. Ao mesmo tempo, os produtos fabricados no país, já presentes em todo o mundo ocidental, ganharam ainda mais espaço entre os 153 países-membros da OMC.

Num passo ainda mais ousado, em 2007, o Congresso Nacional do Povo (Parlamento chinês) aprovou uma lei que garante que os mesmos direitos dados à propriedade estatal sejam estendidos à propriedade privada. A terra, porém, continua sendo domínio apenas do Estado.

	Crescimento Chinês

Desafios

Arranha-céus, portos, aeroportos, rodovias e ferrovias têm mudado a paisagem da China. As condições de vida da população, porém, não progridem na mesma medida. Desde o início das reformas econômicas, em 1978, a China retirou 500 milhões de pessoas da pobreza absoluta, segundo o Banco Mundial. Mesmo assim, a entidade afirma que ainda há 135 milhões que vivem com menos de 1 dólar por dia, o que coloca o país em segundo lugar no ranking absoluto de pobres, atrás apenas da Índia. A renda média dos 10% mais ricos do país é 12 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Na década passada, a proporção era de apenas quatro vezes.

Outra preocupação de Pequim é o meio ambiente. A vigorosa escalada econômica chinesa provoca graves danos à natureza. Hoje o país é responsável por 20,2% do total das emissões mundiais de gás carbônico, causador do efeito estufa. A maior parte da energia consumida na China vem do carvão e do petróleo, fontes altamente poluidoras. Para amenizar a situação, o governo tem investido na construção de usinas de carvão mais eficientes, que convertem o mineral em gás antes de queimá-Io. Aos poucos, a medida surte efeitos. O último relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu de 3,2% para 3% sua previsão de aumento anual das emissões chinesas de gases de aquecimento global.

Já a necessidade de petróleo - a China é o segundo maior consumidor do mundo, atrás apenas dos EUA - aproximou o país da África. Nos últimos anos, as trocas comerciais cresceram dez vezes, atingindo 100 bilhões de dólares em 2008. Países como Angola, Guiné Equatorial, Congo e Nigéria fornecem um terço do petróleo consumido pelos chineses. A China também compra minérios como cobre, ferro, cobalto, latão e ouro, além de investir em obras de infraestrutura na região. Em troca, o mercado africano abriu espaço aos produtos chineses.

	Consumo de energia na China

Autoritarismo

Ao mesmo tempo em que ganhou destaque global graças ao crescimento econômico, a China aumenta a repressão política interna. Não há liberdade partidária, sindical, nem de imprensa. As medidas de repressão política foram reforçadas para evitar manifestações na passagem dos 20 anos do Massacre da Praça da Paz Celestial. O episódio marcou a história chinesa. Em 1989, estudantes iniciaram uma onda de protestos exigindo democracia e melhores condições de vida. Engrossadas por setores da população, as manifestações terminaram com milhares de mortes.

Hoje, sob o comando do presidente Hu Jintao, a ditadura se mantém na China. Há milhares de prisioneiros políticos e ainda se pratica o crime de tortura. O regime também é duro contra os criminosos comuns. No total, a China é o país que execu¬ta o maior número de pessoas no mundo, segundo a Anistia Internacional.

Em abril deste ano, o governo chinês anunciou seu primeiro plano sobre direitos humanos, que pode ser apenas um aceno às organizações ocidentais que pressionam o país. No documento, o governo promete controlar o uso da pena de morte, garantir julgamentos justos, proteger minorias e ampliar o direito da população de ser informada. No entanto, a liberdade democrática de organização política passa longe das medidas cogitadas pela cúpula chinesa.

Em meio à crise econômica mundial, a China tenta garantir crescimento de pelo menos 8% da economia para evitar que uma inquietação social gere protestos como os da Praça da Paz Celestial em 1989.

O movimento de 20 anos atrás é conhecido por ter sido liderado pela elite estudantil pró-democracia da China, mas os protestos se fortaleceram porque contaram com a participação de trabalhadores e desempregados. Alguns dissidentes afirmaram que a mobilização pró-democracia de hoje se fundamenta justamente nesse grupo de chineses, que migram do interior para a costa em busca de trabalho nas indústrias manufatureiras exportadoras. Esses trabalhadores não recebem apoio da rede social nas cidades, pois não têm direito a residência permanente, ao mesmo tempo em que sofrem abusos de patrões, que os escravizam ou não pagam os salários.

	Exército chinês

Fonte:


Atualidades Vestibular 2010


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