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Negócios Com a China

O Brasil intensifica o comércio com o gigante asiático, seu maior parceiro econômico hoje.

Postado em 07/08/2011 | 0 Comentário(s) | 4647 Acessos

Atualmente, boa parte das mercadorias que circulam pelos portos brasileiros dá meia volta ao mundo: desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil é a China. Em 2010, as compras e vendas entre brasileiros e chineses chegaram a 56 bilhões de dólares, cerca de 15% de tudo o que o Brasil comercializou no ano.

Para a China, nosso país exporta sobretudo commodities (produtos básicos ou matérias primas), como minério de ferro, soja e petróleo bruto. De lá, vêm muitos produtos manufaturados, como eletroeletrônicos. Por muitos anos, o grande parceiro comercial do Brasil foram os Estados Unidos (que ainda são a principal origem de nossas importações, com a China em segundo). Mas a relação com os chineses veio se estreitando nos últimos anos, e as compras dos EUA caíram, como resultado da crise econômica mundial iniciada em 2008, que esfriou a economia norte-americana.

Presindentes Dilma e Hu Jintao

O dragão ganha força

O crescimento do comércio com os chineses não é um fenômeno brasileiro, mas uma marca da economia globalizada na última década. Na verdade, a economia da China cresce de forma acelerada há mais de três décadas e deu a ela o posto de maior exportador mundial. Agora, em fevereiro de 2011, a China tornou-se oficialmente a segunda maior economia do mundo, ultrapassando a do Japão, que ocupava o segundo lugar havia 42 anos. Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 10,3%, atingindo 5,87 trilhões de dólares.

O desenvolvimento da economia chinesa é resultado da política econômica iniciada pelo governo comunista há mais de 30 anos. A decisão foi atrair para o seu território empresas multinacionais, oferecendo vantagens como mão de obra barata, isto é, com salários muito baixos, e também benefícios fiscais. Hoje, a potência asiática conta com o maior estoque de reservas de moeda estrangeira do mundo (2,8 trilhões de dólares), graças a seguidos superávits na balança comercial (valor das exportações maior do que o das importações) e aos grandes investimentos estrangeiros na economia local.

O fortalecimento da China no mercado mundial, entretanto, vem provocando atritos com vários outros países, pois afeta diretamente suas economias, suas empresas e seu nível de emprego. Vem causando um desconforto sobretudo nas relações com os Estados Unidos, a maior economia global.

Commodities

As relações comerciais do Brasil com a China não têm só aspectos positivos. Isso porque o que os chineses querem por aqui são os produtos básicos para fazer a economia deles funcionar, como ferro e petróleo para suas indústrias e soja para sua produção de alimentos. Mas, para qualquer país do mundo, a maior vantagem é exportar produtos industrializados, cujo valor é muito maior.

Desde 1979, a exportação de manufaturados supera a de commodities no resultado da balança comercial do Brasil. No entanto, essa supremacia vem se reduzindo nos últimos anos, em razão da elevação no preço dos produtos básicos e do aumento das exportações brasileiras desses produtos, puxadas pela China. Os especialistas falam que a nossa balança comercial corre o risco de se "reprimarizar", ou seja, voltar a ter como principal pilar os produtos primários. Com isso, os resultados de nossa balança voltariam a ficar muito dependentes das commodities, que têm menor valor e que, por sua natureza, ficam mais sujeitas ao sobe e desce das cotações internacionais.

Além disso, ao mesmo tempo em que é maior comprador das commodities brasileiras, a China é um forte concorrente de nossas exportações de manufaturados. Segundo a Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), de 2004 a 2009 a concorrência chinesa abocanhou das empresas brasileiras 12,6 bilhões de dólares em exportações para a Argentina, os Estados Unidos e a União Europeia.

Guerra cambial

Vê-se, assim, que as relações econômicas têm um aspecto de permanente guerra comercial, na qual cada país quer o tempo todo obter os mercados dos demais. Nos últimos tempos, assistimos a uma variante desse cenário chamada de guerra cambial, com os países tentando manter a moeda barata em relação ao dólar (moeda padrão no comércio internacional) para facilitar suas exportações.

A China é o país mais acusado de manter a moeda muito barata (diz-se "depreciada" em relação ao dólar). Os EUA, o maior destino das exportações chinesas, acusam os chineses de usar métodos condenáveis para ampliar mercados, ao manter sua moeda, o iuan, muito desvalorizada. Nos últimos tempos, os produtos chineses inundam as prateleiras de boa parte das nações.

A China, com a força de seu mercado de mais de 1 bilhão de pessoas, tenta resistir às pressões. Já anunciou, porém, no início de 2011, que vai flexibilizar um pouco a taxa de câmbio, aumentando o valor do iuan de forma gradual. Já o governo dos EUA tem pressa, pois precisa combater o persistente déficit na balança comercial, e em novembro de 2010 decidiu injetar 600 bilhões de dólares no mercado, aumentando a oferta da moeda para desvalorizar o dólar, forçando a valorização das demais moedas. É uma queda de braço.

O Brasil acaba atingido pelos dois lados, pois sofre tanto com o iuan quanto com o dólar baratos. O país está com a moeda muito cara em relação ao dólar neste início de 2011, e o setor exportador pressiona o governo federal a adotar medidas que desvalorizem o real, para facilitar o crescimento das exportações (e inibir as importações). Caso contrário, o superávit na balança comercial brasileira pode tornar-se déficit já em 2012.

	Evolução da parceria do Brasil com a China

Comércio bilateral gera tensões entre Brasil e China

O comércio bilateral entre Brasil e China vem ganhando força e trouxe muitos benefícios às duas economias, mas também causou crescentes pressões sobre o setor manufatureiro para competir com as importações chinesas. Abaixo estão alguns fatos sobre o comércio entre os dois mercados emergentes:

Mais de três quartos das exportações do Brasil à China são de apenas três commodities - minério de ferro, soja e petróleo bruto. No total, as matérias-primas formam 84% do total de exportações do Brasil em 2010, ante 79% no ano anterior;
Já as importações chinesas no Brasil são uma lista diversificada de produtos manufaturados de alto padrão: os três principais foram televisões, telas LCD e telefones. Esse tipo de produto forma 98% das importações chinesas no Brasil;
Parte dos problemas comerciais do Brasil podem ser atribuídos à recente alta do real. No entanto, o valor da moeda ante o iuan chinês mudou pouco nos últimos 12 meses;
O Brasil perdeu sua participação de mercado para a China entre seus principais parceiros comerciais, como a Argentina. O país foi responsável por 31,6% das importações da Argentina em 2010, ante 35,8% em 2005. Já a fatia da China quase triplicou no mesmo período, para 12,7%.


Fonte:


Atualidades Vestibular 2011


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