Vestibular UVA2016




Chuvas no Rio de Janeiro

Qual a explicação para essa natureza em fúria, para essa destruição que se repete todos os anos? Especialistas explicam o que aconteceu nessa Região.

Postado em 31/01/2011 | 0 Comentário(s) | 3945 Acessos

Por que tragédias como esta acontecem? Por que não se consegue prevenir tantos danos? Será culpa do clima? Está chovendo mais?

Não é o que diz a meteorologia: “As chuvas tão dentro, se a gente olhar o comportamento dentro do mês, elas tão dentro do normal, dentro da média para o período de janeiro”, explica Olívio Bahia, meteorologista do Inpe.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as tempestades que castigaram a região de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis fazem parte de um fenômeno que acontece todos os verões. É a chamada zona de convergência do Atlântico Sul. A zona de convergência carrega um corredor de umidade desde o sul da Amazônia até o Sudeste, onde as áreas montanhosas favorecem os temporais.

Casa atingida pelas águas

“A Região Serrana, ela tem a característica de fazer com que o ar que está mais embaixo suba pelas suas paredes, com isso as nuvens se desenvolvem provocando ainda mais chuva”, explica o meteorologista.

Uma chuva intensa, contínua, com força suficiente para varrer a fina camada de terra que cobre as rochas das montanhas e transformar simples riachos em cabeças d'água devastadoras.

“Nessa época de verão, chove praticamente todo dia. Então, o solo já está saturado, já tem muita água. De repente vem aquela chuva muito forte. Então, o solo não comporta. A água vai aliviar a pressão interna que existe dentro do solo e ele vai escorrer, como se fosse um líquido mesmo. É possível observar que a água começa a criar caminhos. Ela encontra esse solo descoberto, vai ganhando velocidade também, e isso pode agravar a situação,explica Mendes. Ou seja, isso é algo que pode acontecer no Rio, porque as chuvas não estão parando na Região Serrana. E um alerta do geólogo: as casas que ficam na beira do barranco formado com o deslizamento também estão com o risco alto.

O ideal é não ocupar. Se já está ocupado, remanejar, se não consegue remanejar, monitorar. Choveu a partir de um limite que eles sabem que começa a ficar perigoso, dá um alarme: ‘Vamos evacuar’”, esclarece Mendes.

Em Cubatão, a 45 quilômetros de São Paulo, a cidade cresceu junto a Serra do Mar, a mesma cadeia de montanhas onde ficam os municípios do Rio devastados pelas chuvas.

“As vertentes e encostas são de alta inclinação e já, em si, trazem uma instabilidade muito grande. Os escorregamentos são parte integrante e natural da Serra do Mar. A Serra do Mar não precisa do homem para ter escorregamento. A ação do homem mexendo com essas áreas tão instáveis - desmatando, cortando, fazendo aterros, lixões, fossas de infiltração - potencializa toda essa instabilidade e pela presença humana torna essa instabilidade trágica, porque o escorregamento ou vários escorregamentos têm, infelizmente, a propriedade de soterrar pessoas”, explica o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos.

“As casas ficam praticamente penduradas na encosta. Todo o esgotamento de água, de drenagem, de água de chuva, saturando o solo, traz uma possibilidade de ocorrer o escorregamento. Um escorregamento nessa situação derruba uma casa e atinge outra residência”, avalia o geólogo.

	Área atingida pelas águas da chuva

Os escorregamentos da Serra do Mar acontecem há 60 milhões de anos, e vão continuar acontecendo. Para o geólogo, a alternativa mais viável e econômica é retirar as famílias que vivem em áreas de risco. Pelo menos em tese, até seria possível fazer grandes obras de contenção. Mas por um preço astronômico e sem garantia de dar certo.

“Em se tratando de Serra do Mar nem isso pode lhe assegurar a segurança desejada pra comportar a presença da população”, explica o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos.

O número de mortos na Região Serrana do RJ já chega a 644 (17/01/2011), segundo os números oficiais das prefeituras das cidades devastadas pelas chuvas. Pelos últimos levantamentos dos municípios, são 298 mortos em Nova Friburgo, 269 em Teresópolis, 56 em Petrópolis,19 em Sumidouro e 2 em São José do Vale do Rio Preto.

	Carro do Bombeiro soterrado


Fonte:


Fantástico

www.fantastico.globo.com


Deixe um comentário